Terça, 25 Abril 2023 08:56

Lula é alvo de protesto de deputados da extrema-direita, e presidente do Parlamento cobra respeito

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Por Artur Nicoceli e Luisa Belchior, g1.

O presidente Lula (PT) discursou nesta terça-feira (25) no Parlamento português, durante a comemoração do 49º aniversário da Revolução dos Cravos. Em 25 de abril, é comemorada a queda da ditadura de António de Oliveira Salazar, em Portugal - que aconteceu em 1974.

Durante o pronunciamento, 11 parlamentares do partido de extrema-direita Chega fizeram um protesto, respondido com aplausos a Lula por integrantes das outras bancadas. O presidente do Parlamento português, Santos Silva, do Partido Socialista (PS), pediu que Lula interrompesse o discurso e cobrou respeito.

"Chega de insultos, chega de envergonhar as instituições, chega de envergonhar o nome de Portugal", disse o parlamentar português.

 
Ao fim do discurso, sem mencionar o Chega, Lula afirmou: "Que deus abençoe Portugal, abençoe o Brasil, e viva a liberdade e a democracia. E não ao fascismo político e injusto".

Após o evento, Santos Silva pediu formalmente desculpas a Lula em nome do Parlamento português, segundo o jornal português "Público". O presidente então classificou o ato de uma "cena de ridículo".

"Eu acho que essas pessoas quando voltarem para casa, e deitarem a cabeça no travesseiro, vão pensar: 'que papelão nós fizemos'", disse Lula.

Crítica à guerra na Ucrânia e soluções militares para conflitos

Ao longo do discurso, o presidente disse mais uma vez que há uma onda crescente de ideologias extremistas, "impulsionadas pela ditadura dos algorítimos. Elas reduzem o espaço para o diálogo e a empatia, propagam o ódio e constrangem a expressão de nossa humanidade".

Lula também criticou o que chamou de "políticos demagogos" contrários à integração da europeia e invasão da Rússia na ucrânia. Ele defendeu ainda a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Condenamos a violação da integridade territorial da Ucrânia. Acreditamos em uma ordem internacional fundada no respeito ao Direito Internacional e na preservação das soberanias nacionais. Ao mesmo tempo, é preciso admitir que a guerra não poderá seguir indefinidamente. A cada dia que os combates prosseguem, aumenta o sofrimento humano, a perda de vidas, a destruição de lares. As crises alimentar e energética são problemas de todo o mundo. Todos nós fomos afetados, de alguma forma, pelas consequências da guerra. É preciso falar da paz. Para chegar a esse objetivo, é indispensável trilhar o caminho pelo diálogo e pela diplomacia.", disse o presidente.
 

O presidente também disse que soluções militares para os problemas atuais não são a saída e que é preciso ter diálogo para que conflitos nacionais e internacionais sejam resolvidos.

"Quem acredita em soluções militares para os problemas atuais luta contra os ventos da História. Nenhuma solução de qualquer conflito, nacional ou internacional, será duradoura se não for baseada no diálogo e na negociação política", disse o presidente.

Agenda do presidente

Lula chegou a Portugal na sexta-feira (21). No sábado, se encontrou com o presidente do país, Marcelo Rebelo, e depois com o primeiro-ministro, António Costa.

Na segunda, o presidente entregou o prêmio Camões ao cantor e compositor Chico Buarque, com quatro anos de atraso. O presidente afirmou que a entrega corrige "um dos maiores absurdos" contra a cultura brasileira.

Lula entrega prêmio Camões a Chico Buarque, quatro anos depois
 Lula entrega prêmio Camões a Chico Buarque, quatro anos depois
 

Após cumprir agenda em Portugal, Lula irá à Espanha, onde tem encontro previsto com empresários e centrais sindicais espanholas.

Essa é a primeira viagem de Lula à Europa neste terceiro mandato. Nos últimos meses, o presidente já visitou Argentina, Uruguai, Estados Unidos, China e Emirados Árabes.