Tragédia expõe fragilidade da Polícia Científica na Bahia
Uma tragédia abalou a cidade de Feira da Mata, no interior da Bahia, na manhã desta segunda-feira (22). Uma menina de apenas 12 anos morreu por volta das 11h, vítima de um grave acidente de trânsito. De acordo com relatos, a condutora do veículo em que a criança estava colidiu lateralmente com um caminhão, e as rodas do veículo pesado atingiram a cabeça da vítima, causando morte imediata.
A cena foi de desespero e consternação. Amigos e vizinhos, em um gesto de solidariedade, cobriram o corpo com uma lona e colocaram um carro ao lado para amenizar o forte sol. Enquanto isso, familiares permaneceram na rua, em pranto, velando a menina ali mesmo. “Imagina a dor de perder uma criança e ainda ter que ver o corpo exposto como se não fosse nada. Isso dói demais”, lamentou uma vizinha.
O sofrimento, no entanto, foi ampliado pela demora de quase 10 horas para a chegada da equipe de perícia. O corpo só foi recolhido por volta das 21h. Segundo a 24ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (24ª Coorpin), a equipe de Bom Jesus da Lapa não pôde se deslocar antes porque atendia outra ocorrência em município vizinho.
A situação revela o colapso da Polícia Científica na Bahia, reflexo da falta de investimento e estrutura por parte do Governo do Estado. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Bom Jesus da Lapa é responsável por cobrir 13 municípios, mas dispõe apenas de uma única viatura e um número reduzido de profissionais para toda a região.
Um perito criminal aposentado, ouvido pela reportagem, classificou o quadro como “humanamente impossível”:
— “Não há como atender tamanha demanda com apenas uma viatura e poucos profissionais. Muitas vezes a população responsabiliza os peritos, mas a verdadeira falha é do Estado, que negligencia esse serviço essencial. Trabalhei anos nesse limite, e ninguém enxergava a gravidade da situação”, desabafou.
— “Não há como atender tamanha demanda com apenas uma viatura e poucos profissionais. Muitas vezes a população responsabiliza os peritos, mas a verdadeira falha é do Estado, que negligencia esse serviço essencial. Trabalhei anos nesse limite, e ninguém enxergava a gravidade da situação”, desabafou.
O episódio reacende o debate sobre a urgência de investimentos na estrutura da Polícia Científica, que desempenha papel fundamental não apenas na elucidação de crimes, mas também na preservação da dignidade de vítimas e famílias em momentos de dor.













