Segunda, 25 Março 2024 10:04

Brasileiro morou cinco anos em hotel em Nova York, e agora pode ser preso por isso.

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Por The New York Times — Nova York.

Numa tarde de junho de 2018, Mickey Barreto se hospedou no hotel New Yorker. Mais precisamente no quarto 2565, uma acomodação com cama de casal e vista para o coração de Manhattan quase totalmente obscurecida por uma parede externa. Por uma única noite, pagou exatos US$ 200, 57 (ou cerca de R$ 1.000).

A história de como Barreto, que morava antes na Califórnia e adora teorias de conspiração, ganhou, e depois perdeu, os direitos ao quarto 2565, parece em tudo implausível: o velho golpe de um homem que afirma, sem provas, ser primo-irmão, 11 vezes afastado, do filho mais velho de Cristóvão Colombo. Aquele mesmo, o navegador.

Mas foi assim mesmo.

Quaisquer que fossem suas crenças mais absurdas, Barreto, hoje com 49 anos, estava certo sobre uma coisa: uma obscura lei local de aluguel que lhe proporcionou o sonho de muitos nova-iorquinos.

 

No hotel do Reverendo Moon

Naquela tarde de verão, há quase seis anos, Barreto passou pela porta giratória do hotel localizado na Oitava Avenida e entrou em um saguão dominado por um lustre art déco de seis metros de altura, um tributo à arquitetura geométrica do hotel.

Quando foi inaugurado, em 1930, com grande alarde, o New Yorker não era apenas o maior hotel da cidade, mas também o segundo maior do mundo. Era um opulento "residencial do futuro", com suas 92 operadoras de telefone, gerador central de energia e rádios com quatro canais em cada quarto.

Hoje, a mística desapareceu, embora a propriedade ainda atraia turistas por sua localização central. Menos da metade dos quartos é ocupada por hóspedes, e o carpete do corredor está esfarrapado, ocupado por máquinas de venda automática de refrigerantes e de salgadinhos bem iluminadas. A maior parte do edifício é hoje ocupada por seguidores do Reverendo Moon, o autoproclamado messias que comprou o hotel em 1976 e o ​​transformou em sede de sua organização e que morreu em 2012.

Mesmo para os padrões de Nova York, a quarto 2565 é pequeno, com pouco menos de 18 metros quadrados. As camas ocupam a maior parte do espaço, decorado com carpete marrom e dourado. Um pequeno armário pode acomodar um punhado de roupas. E a TV de 42 polegadas tem HBO grátis.

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Ao longo de várias entrevistas recentes, Barreto descreveu ao New York Times o que aconteceu a seguir – os eventos que levaram a uma provação de anos para o hotel.

Na conversa, Barreto oscila entre o lúcido e o instável. Ele diz que sofre com ataques de pânico e convulsões, mas insistiu que nunca foi diagnosticado com doença mental – mesmo afirmando ser o chefe de uma tribo indígena que ele fundou no Brasil.

Boa parte da história de Barreto é corroborada por anos de registros judiciais, mas um momento crucial só pode ser encontrado em seu relato oral: naquela primeira noite, ele se instalou no quarto, em Midtown, com seu companheiro, Matthew Hannan. Antes daquela noite, diz Barreto, Hannan mencionou, de passagem, fato peculiar sobre as regras de habitação a preços acessíveis que se aplicam aos hotéis da cidade de Nova York. Bingo.

Com os laptops abertos, afirmou ele, os dois pesquisaram se o New Yorker estava sujeito à regra, um artigo pouco conhecido da Lei de Estabilização de Aluguéis.

Aprovada em 1969, a legislação criou um sistema de regulamentação de aluguéis em toda a cidade. E incluiu uma série de quartos de hotel, especificamente os construídos antes de 1969, alugados por menos de US$ 88 (ou cerca de R$ 440) por semana no mês de maio de 1968.

De acordo com a tal lei, um hóspede poderia se tornar residente permanente se solicitasse um aluguel com desconto. E com os mesmos serviços oferecidos a um hóspede regular, incluindo serviço de quarto, de limpeza, e uso de instalações, como a academia. O quarto torna-se assim, essencialmente, um apartamento subsidiado dentro de um hotel.

 

De volta ao quarto 2565

Apesar da suposição razoável de que havia orquestrado a trama desde o início, Barreto afirmou que a ideia só tomou forma quando a pesquisa on-line dele e de Hannan resultou na 27ª linha de uma planilha de 295 páginas intitulada “Lista de edifícios de Manhattan contendo unidades estabilizadas.”

De acordo com os documentos judiciais, Barreto saiu do quarto do New Yorker na manhã seguinte, pegou o elevador até o saguão e cumprimentou um funcionário do hotel na recepção. Entregou então uma carta, endereçada ao gerente: queria alugar o 2565 por seis meses.

O funcionário ligou para o gerente e, após breve conversa, Barreto foi informado de que não existia a opção do aluguel no hotel. E que, sem pagar por mais uma noite, teria que desocupar o quarto até o meio-dia. Mas o casal não retirou seus pertences. Quando os carregadores o fizeram, Barreto rumou para o Tribunal de Habitação da Cidade de Nova York, no sul da ilha. E processou o hotel.

Em uma declaração manuscrita de três páginas datada de 22 de junho de 2018, Barreto citou leis estaduais, códigos locais e um processo judicial anterior ao argumentar que seu pedido de aluguel o tornava automaticamente um “residente permanente do hotel”. A remoção de seus itens, portanto, equivalia a um despejo ilegal.

Em audiência no dia 10 de julho, na ausência de representantes do hotel para se opor à ação, o juiz Jack Stoller decidiu a favor de Barreto. Stoller não apenas concordou com seus argumentos; citou a mesma jurisprudência aventada pelo brasileiro e ordenou que o hotel “devolvesse imediatamente ao peticionário a posse das instalações em questão, fornecendo-lhe uma chave”.

Barreto retornou ao quarto 2565 em poucos dias, mas agora como residente do hotel – e em breve, como seu novo proprietário.

De volta ao quarto, dias após a decisão, o casal leu repetidamente a decisão do juiz Stoller. Nele, não havia nenhuma ordem para que o hotel fornecesse aluguel, nenhum limite de estadia, nenhuma sugestão de que o aluguel era devido. Mas uma palavra era mencionada o tempo todo: posse. Barreto recebera um “julgamento final de posse”.

Barreto conta que ligou então para o tribunal para pedir que alguém explicasse o que isso significava.

—Que você tem a posse — conta Barreto, enfatizando de forma acentuada e lenta cada sílaba da palavra final que lhe teria sido dita. — Você não é um locatário. Você é dono de um prédio.

Dono de um prédio em Manhattan

E como é registrada a posse de bens imóveis? Na cidade de Nova York, no Departamento de Finanças. Com a ordem do juiz em mãos, Barreto e Hannan visitaram os escritórios da repartição em Lower Manhattan. Barreto disse que pediu a um funcionário para colocar o quarto 2565 em seu nome – exatamente como faria um novo proprietário – mas foi informado de que isso seria impossível, pois o hotel, ao contrário de apartamentos em um prédio residencial, não estava dividido nos registros da cidade por quartos.

A propriedade tinha uma entidade cadastrada, o próprio hotel, identificado nos registros municipais como Bloco 758, Lote 37. Assim, citando a ordem do juiz, Barreto preencheu tranquilamente a papelada declarando ser aquela sua propriedade.

 

— Se tiver o direito de registrar tudo — Barreto se lembra de ter pensado: — Ué, então registrarei tudo.

Registrou.

Em Nova Iorque, uma mudança de propriedade precisa ser registada no volumoso Sistema Automatizado de Informação do Registo Municipal (ACRIS, na sigla em inglês), que mantém os registos imobiliários de cada propriedade. Milhares de documentos, entre eles escrituras e hipotecas, são recebidos e publicados diariamente, boa parte deles para que os funcionários do Departamento de Finanças os examinem antes de os lançarem digitalmente.

Barreto tentou repetidamente solicitar uma escritura, mas foi rejeitado, por vários detalhes técnicos. Após a sexta tentativa, um funcionário disse que ele precisava entrar em contato com o gabinete do xerife da cidade, que, em Nova York, é uma divisão do Departamento Financeiro.

Barreto conta que conversou com um investigador do departamento, e este o perguntou por que tinha entrado com tantas ações. Ele respondeu ser dono do imóvel, mas que penava com dificuldades técnicas.

Enquanto isso, os proprietários do hotel entraram com sua própria ação para despejar Barreto, alegando que o hotel estava isento das disposições hoteleiras da lei habitacional. Mas os advogados não conseguiram apresentar documentação de maio de 1968 para provar que a tarifa semanal do New Yorker era na época superior a US$ 88 por semana. O juiz então negou continuidade ao processo.

Barreto, por sua vez, protocolou a escritura pela sétima vez. E aí conseguiu o que queria.

 

Na tarde de 17 de maio de 2019, quase um ano depois de Barreto ter entrado no hotel pela primeira vez, ele foi identificado no ACRIS como "proprietário do New Yorker", um edifício de 111 mil metros quadrados.

Barreto agora tinha uma escritura que comprovava ser ele o proprietário do hotel, ainda que a verdadeira e única proprietária desde 1976 era a Igreja da Unificação, do Reverendo Moon.

Pois os próximos passos de Barreto foram muito além dos direitos de um "hóspede permanente".

O homem de US$ 15 milhões

Barreto enviou de bate-pronto um e-mail para o advogado do hotel, exigindo receber detalhadamente informações sobre as finanças recentes da propriedade. E incluiu na mensagem uma alegação: eles lhe deviam US$ 15 milhões. Em lucros não repartidos.

“Esse pagamento está vencido”, escreveu na mensagem, “e é devido imediatamente”.

Poucos dias depois, nova exigência: o 38º andar precisava ser liberado de hóspedes. “Preciso fazer uma inspeção do prédio com meu arquiteto, o mais rapidamente possível”, escreveu ele.

O advogado respondeu: “A que você está se referindo?”

“Tenho direitos de propriedade sobre o edifício”, respondeu Barreto. “É a isso que estou me referindo.”

Ele também escreveu sobre o desejo de fazer melhorias no prédio, inclusive na porta giratória da entrada na Oitava Avenida, entre as ruas 34 e 35 Oeste. “Essa área parece uma zona de guerra”, reclamou.

Enquanto o advogado lutava para entrar com uma ação judicial para reverter a propriedade do New Yorker, Barreto enviou outro e-mail, desta vez para a Wyndham Hotels and Resorts, que administra a propriedade, notificando ser ele agora o proprietário. Um representante da Wyndham solicitou então o envio de uma série de documentos legais e de vendas como prova. (Não foram enviados).

Barreto também enviou um memorando ao M&T Bank, credor do hotel, e pediu que todas as contas fossem colocadas em seu nome. Em seguida, entrou no Tick Tock Diner, ligado ao lobby por portas duplas. E deixou ali uma carta endereçada aos proprietários. Os cheques mensais de aluguel, escreveu ele, deveriam ser enviados para um novo endereço: claro, o Quarto 2565. (Não foram).

Um dos donos da lanchonete, Alex Sgourgos, reconheceu Barreto. Desde que se mudara para o hotel, Barret e Hannan comiam frequentemente no Tick Tock, um restaurante aberto 24 horas no estilo de uma lanchonete americana típica dos anos 1950, com luzes de neon, cabines vermelhas e cardápio com páginas laminadas. Os dois homens frequentemente pediam café da manhã, sanduíches e pratos de frango, disse Sgourgos, e sempre pagavam em dinheiro.

— Eles pareciam ser caras estranhos — acrescentou.

Depois de ler a carta, Sgourgos ligou para a Igreja da Unificação, que lhe disse para ignorar a exigência. O casal continuou a comer no restaurante, disse ele, e nunca mais mencionou o pagamento do aluguel.

Dois dias depois de Barreto ter entrado no Tick Tock, o advogado do hotel esteve no tribunal, explicando a situação e implorando a um juiz que emitisse uma ordem para impedir que Barreto se apresentasse como proprietário.

 

O advogado, Matthew B. Meisel, disse que os sócios de seu escritório de advocacia “nunca viram um conjunto de circunstâncias tão flagrantes”.

No tribunal, Meisel disse acreditar que Barreto estava sendo investigado por promotores do gabinete do procurador distrital de Manhattan, embora não tenha especificado o motivo.

Dono de prédio de 41 andares

Nos Estados Unidos, não é incomum funcionários municipais sobrecarregados aceitarem registros de propriedade sob a suposição de serem legítimos. E que especuladores imobiliários se aproveitem do sistema.

Mas Bill Lienhard, advogado que representou muitas vítimas de roubo de títulos em Nova York, disse ter ficado surpreso com a aparente facilidade com que Barreto transferira um hotel de 41 andares em Manhattan para seu nome:

— Isso é prova de um departamento de registros da cidade que não está prestando atenção.

Barreto, no tribunal, insistiu que não tinha feito nada de errado.

— Só disse às pessoas que era o proprietário do hotel após ter a escritura — disse ele na corte.

Poucos meses depois, o juiz emitiu uma decisão: “A escritura em questão é forjada, em todos os sentidos”, escreveu. B

Barreto não era o proprietário do imóvel.

Mas isso não foi o fim da história.

Descendente de Cristóvão Colombo

Apesar da decisão do juiz, Barreto ainda era residente legal do hotel. Sua casa, o quarto 2565, fica no fim de um corredor longo e estreito que ziguezagueia os elevadores. Ao virar-se a esquina fica o quarto 2549, onde Muhammad Ali passou a noite em 1971, após perder a "Luta do Século "para Joe Frazier no vizinho Madison Square Garden.

 

Sem emprego, conta Barreto, ele passava horas em seu quarto pesquisando a história de sua família no Brasil, onde nasceu e foi criado na cidade ribeirinha de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Ele tem um rosto jovem, corte de cabelo estilo militar e mexe nas roupas enquanto fala.

Um parente disse que ele se destacara na escola, nunca tivera problemas e se mudara para os Estados Unidos na década de 1990. Quando adolescente, era considerado particularmente talentoso – o filho mais inteligente da família.

 

Mas nos últimos anos, desenvolveu obsessão por sua genealogia. Alegara ter descoberto ligação direta com Cristóvão Colombo, e através da realeza portuguesa. Na Justiça, passou a invocar o nome do explorador — “Meu sobrenome é ‘Muniz Barreto Colombo’”, escreveu em um processo de 2021.

Combate à igreja na Coreia do Norte

Barreto também decidiu investigar as origens da Igreja da Unificação na Península Coreana, seus interesses econômicos em expansão em outros continentes e ligações comerciais com o governo da Coreia do Norte. E passou a acreditar que os líderes da Igreja estavam enviando seus rendimentos, incluindo os provenientes do hotel, para a Coreia do Norte, violando assim as sanções impostas pelos Estados Unidos ao governo de Kim Jong Un.

Numa entrevista, Barreto disse que suas preocupações com as finanças da organização religiosa se tornaram o principal motivo para seguir no hotel. Era seu "dever patriótico" como cidadão americano, comparando seus esforços a alguém que conseguisse deter um dos terroristas antes dos ataques de 11 de setembro.

— Lamento ter interrompido sua tentativa de financiar armas de destruição em massa — disse Barreto sobre a Igreja de Moon. — É Mickey Barreto contra a Coreia do Norte.

Embora Moon, que morreu em 2012, tenha nascido onde hoje é a Coreia do Norte, os laços atuais da sua igreja com o país não são claros. Ele já operou fábricas e um hotel de lá. Sua igreja passou por intenso escrutínio no Japão após o assassinato em 2022 do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. O suposto assassino acreditava que Abe tinha ligações com a Igreja, que há muito é acusada de explorar pessoas vulneráveis ​​para obter doações, e não só no Japão.

Barreto fez afirmações semelhantes a familiares seus, tanto sobre a igreja como sobre a genealogia da sua família, deixando-os confusos sobre seu estado mental.

— Era algo difícil de acreditar — disse um parente, que pediu para permanecer anônimo. — Com Mickey, é difícil dizer se é verdade ou não.

Uma porta-voz da Igreja da Unificação se recusou a comentar as alegações de Barreto.

O contra-ataque

Barreto havia vencido dois processos judiciais: ele tinha direito a um aluguel estável de um quarto no New Yorker, além de acesso ao serviço de quarto, limpeza e instalações do hotel.

Mas ele se recusou a assinar um contrato – ou a pagar aluguel.

A primeira oferta do hotel, segundo ele, ultrapassou o valor legal de um quarto com aluguel estabilizado. Ele também recusou ofertas adicionais ao longo dos anos, alegando que estava "preocupado com as finanças da Igreja".

Finalmente, no ano passado, o proprietário do hotel conseguiu judicialmente vencê-lo. Um juiz decidiu a favor do hotel, citando a recusa de Barreto em pagar ou assinar um contrato de aluguel. E ele foi despejado em julho.

Mas mesmo enquanto o segundo caso de despejo tramitava no Tribunal de Habitação, Barreto não deixou de se apresentar como proprietário do imóvel. Em setembro, apresentou outra escritura comprovando que o hotel havia sido novamente transferido para seu nome, com aval da prefeitura.

 

A transferência fez com que o hotel perdesse a isenção do imposto sobre a propriedade, resultando em um aumento de US$ 2,9 milhões de taxas sobre a propriedade.

De volta ao tribunal, os advogados do hotel instaram um juiz a condenar Barreto por desacato, e um outro sinalizou que no dia 7 de fevereiro deste ano haveria outra audiência no caso.

Uma semana depois, os policiais apareceram antes do nascer do sol no apartamento no Upper West Side onde Barreto estava hospedado com Hannan.

Barreto foi preso e processado naquela manhã em um tribunal de Manhattan por 24 acusações – incluindo 14 por fraude criminal – no que os promotores disseram ser um "esquema criminoso para reivindicar a propriedade do hotel New Yorker". Hannan, que Barreto disse não estar envolvido no caso, além de ter morado com ele no hotel por quase cinco anos, não foi indiciado ou acusado de qualquer crime.

Barreto, por sua vez, aguarda agora o julgamento no Supremo Tribunal do Estado de Nova York em Manhattan e poderá passar vários anos na prisão se for condenado. Na prisão antes de ser libertado sob fiança, Barreto disse que usou o único telefonema a que tinha direito para ligar para a Casa Branca, com uma mensagem informando sobre seu paradeiro.

Não havia razão para acreditar que a Casa Branca tivesse qualquer interesse no caso ou qualquer ideia de quem fosse Mickey Barreto. Mas você nunca pode dizer nunca com Mickey – afinal, ele já esteve certo uma vez.