
Depósito do valor do 'Bolsa Presença' para famílias de alunos da rede estadual é feito nesta terça-f
Será realizado nesta terça-feira (27) o depósito do valor referente ao "Bolsa Presença", benefício que concede R$ 150 mensais a famílias de alunos da rede estadual de ensino da Bahia que se enquadram em situação de pobreza ou extrema pobreza. O valor será pago ao longo de seis meses, e as famílias precisam ter cadastro no CadÚnico.
Segundo o governo do estado, o benefício do Bolsa Presença é por família, mas o aluno pode acumular com os demais benefícios que recebe: Parcela de R$ 55 do vale-alimentação estudantil e os R$ 100 se for monitor do programa "Mais Estudo".
Cada beneficiário possui um cartão específico para utilização. O valor poderá ser utilizado para a aquisição de gêneros alimentícios, artigos de limpeza e compras em farmácias ou para outra destinação de interesse da família, como material escolar, por exemplo.
Ainda de acordo com o governo, além da família estar cadastrada no CadÚnico, as condições para que o aluno matriculado receba o auxílio Bolsa Presença são: assiduidade nas aulas ministradas pela unidade escolar em que esteja matriculado, com frequência mínima de 75%; participação do estudante e da sua família nas atividades e avaliações escolares; desenvolvimento do projeto de vida e intervenção social; e manutenção atualizada dos dados cadastrais na unidade escolar e no CadÚnico.
A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) disponibilizou um site onde as famílias podem consultar se têm direito ao "Bolsa Presença". Quem não tem acesso à internet poderá ligar para a escola e solicitar a consulta no sistema.
Prefeitura de SP suspende enterros noturnos a partir desta quinta-feira após queda de sepultamentos
Em abril, ocorreram 7.422 sepultamentos na cidade contra 9.799 em março. Medida ocorria nos cemitérios da Vila Formosa, Vila Alpina, São Luiz e no Vila Nova Cachoeirinha.
Por G1 SP — São Paulo.
A Prefeitura de São Paulo decidiu suspender o enterros noturnos na cidade a partir de quinta-feira (29). A decisão ocorre após a queda dos sepultamentos, segundo o Serviço Funerário Municipal.
O horário do sepultamento noturno ocorria desde o fim de março devido a pandemia de coronavírus nos cemitérios da Vila Formosa e Vila Alpina, ambos na Zona Leste; o São Luiz, na Zona Sul; e o Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte. Com isso, os enterros na cidade ocorriam entre 7h e 22h.Os sepultamentos noturnos fazem parte do Plano de Contingência do Serviço Funerário. Caso o número de enterros aumente novamente, a medida pode ser retomada.
Em abril deste ano, já foram realizados 7.422 sepultamentos na cidade. Em março, foram 9.799 enterros. Em fevereiro, 5.964. E em janeiro foram 6.678 sepultamentos.
O número de sepultamentos também inclui enterros realizados em cemitérios particulares e cremações. O número de enterros é menor do que o de mortes, pois os sepultamentos podem ocorrer em outros municípios.
Tsunami de Covid na Índia
País registra cinco dias seguidos de recorde no número de novos casos de Covid: são mais de 350 mil infectados diariamente e o sistema de saúde já está colapsado. Crise indiana pode comprometer o fornecimento de vacinas para todo o mundo.
Por Renata Lo Prete.
Um número diário de novos casos sem precedente em qualquer outro país, já tendo superado 350 mil. Variantes do vírus alimentando o contágio. Colapso dos hospitais, pacientes morrendo por falta de oxigênio, disparada de sepultamentos e cremações. E desconfiança generalizada de que a contagem de óbitos - na casa dos 200 mil - esteja seriamente subestimada. “Não dava para imaginar que ficaria tão grave. No dia a dia, a mensagem era de que o pior já havia passado”, conta o repórter da Globo Álvaro Pereira Jr., que esteve nas cidades de Nova Délhi e Pune no início de março, como parte das gravações para o documentário “A corrida das vacinas”. De fato, a situação saiu de controle em poucas semanas, disparando alerta global, porque o país é grande produtor do que o mundo inteiro quer. “Se o Brasil ainda esperava receber vacinas prontas da Índia, pode tirar o cavalo da chuva”, alerta o jornalista. Isso porque a prioridade do país, agora, será acelerar a imunização de sua população -inferior em tamanho apenas à da China. Também neste episódio, Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, explica por que o país asiático está recebendo ajuda internacional em escala a que o Brasil nem de longe tem acesso: “Ela é aliada dos EUA para conter a China e peça-chave na distribuição global de vacinas”.
Auxílio Emergencial 2021: prazo para contestar benefício negado em 10 de abril termina nesta quinta
Os trabalhadores que tiveram o resultado negativo do Auxílio Emergencial 2021 divulgado no último dia 10 de abril têm até esta quinta-feira (22) para recorrer da decisão. A contestação deve ser feita pelo https://consultaauxilio.cidadania.gov.br/ (veja mais abaixo como fazer).
No início do mês, o Ministério da Cidadania liberou as consultas à nova rodada do Auxílio. Quem já teve o benefício negado naquela data teve até a0 dia 12 de abril para recorrer da decisão. Para uma parcela dos trabalhadores, no entanto, a consulta retornava o status como 'em processamento'.
Parte desse público teve a análise concluída em 10 de abril, com a aprovação de mais 236 mil beneficiário. É para quem teve resposta negativa nessa etapa que vale o período de contestação que termina nesta quinta. O Ministério aponta que ainda há cadastros sendo analisados – o que deve dar origem a novos aprovados e a novos períodos de contestação para eventuais pedidos negados.
Quem receber uma ou mais parcelas da nova rodada do benefício, mas tiver os pagamentos cancelados durante as reavaliações mensais ainda poderá recorrer da decisão.
Nem todas as negativas podem ser contestadas: algumas decisões são finais. Veja mais abaixo a lista dos motivos que podem ou não ser contestados e o que fazer em cada caso.
Verifique o status do benefício
Para fazer a contestação, o trabalhador precisa primeiro verificar se teve o benefício negado.
Isso pode ser feito pelo site https://consultaauxilio.cidadania.gov.br/. O beneficiário deverá informar o CPF, nome completo, nome da mãe e data de nascimento.
A consulta também pode ser feita pelos canais da Caixa: pelo auxilio.caixa.gov.br ou pelo telefone 111.
Como contestar
A contestação pode ser feita apenas pelo https://consultaauxilio.cidadania.gov.br, usando o mesmo caminho para verificar o status do benefício.
Para quem teve o benefício negado – e se encaixa em uma das situações que permitem a contestação (veja como consultar a lista abaixo) – , a página vai trazer um ícone "Solicitar contestação", informando o motivo da negativa.
Após clicar neste botão, será apresentada pergunta se o beneficiário deseja mesmo apresentar a contestação e, quando confirmar, a contestação será enviada para avaliação da Dataprev.
Só são elegíveis à nova rodada de pagamentos os trabalhadores que tinham o direito reconhecido ao Auxílio em dezembro do ano passado. A Dataprev analisou, entre esses beneficiários, quem se encaixa nas regras deste ano. Assim, quem não tinha direito em dezembro não teve o cadastro analisado, e não terá como recorrer.
O Ministério da Cidadania informa que oferece atendimento telefônico pelo número 121 e pela Ouvidoria por meio de formulário eletrônico. Outra opção é enviar uma carta para o endereço: SMAS - Setor de Múltiplas Atividades Sul Trecho 03, lote 01, Edifício The Union, térreo, sala 32, CEP: 70610-051 - Brasília/DF.

O que pode ser contestado
O Ministério da Cidadania listou os motivos que podem ser contestados e o que deve ser feito. Veja aqui quais são os motivos e o que fazer em cada caso.
Contestação durante os pagamentos
O beneficiário também poderá contestar caso receba uma ou mais parcelas e tenha o pagamento cancelado durante as reavaliações mensais.
Nova rodada
A nova rodada do Auxílio Emergencial começou a ser paga em 6 abril, como medida de resgate aos mais vulneráveis em momento de agravamento da pandemia do coronavírus.
Os pagamentos da primeira parcela do benefício, para todos os públicos, vão até 30 de abril.
Para esta semana está prevista ainda o pagamento da primeira parcela para nascidos em abril, maio, e para beneficiários do Bolsa Família com NIS final 1.
A Caixa informou que realizará nesta semana também pagamentos para uma nova leva de aprovados nascidos entre janeiro e maio.
"A Caixa realizará o pagamento do Auxílio Emergencial a 236 mil novos beneficiários aprovados. Desse total, os nascidos entre janeiro e maio receberão a primeira parcela na próxima quinta-feira (15). Os que nasceram depois de maio entram no calendário normal de repasses", explicou, em nota divulgada no sábado (10).
O retorno do benefício será em quatro parcelas, com valores específicos conforme o perfil de quem recebe. O valor médio dessa rodada é de R$ 250, mas pode variar de R$ 150 a R$ 375 a depender da composição de cada família.
Butantan recebe 3 mil litros de IFA para produzir mais 5 milhões de doses da Coronavac
Carga vinda da China chegou ao Aeroporto de Guarulhos no início da manhã desta segunda (19). Com atraso no recebimento da matéria-prima da China, Butantan vai completar a entrega das 46 milhões de doses, que estava prevista para o fim de abril, até 10 de maio.
Por G1 SP.
O Instituto Butantan recebeu, na manhã desta segunda-feira (19), mais 3 mil litros do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima para produção da CoronaVac. A matéria-prima vai ser suficiente para produzir mais 5 milhões de vacinas contra a Covid-19. A Coronavac é a vacina contra a Covid-19 produzida pelo Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.
O carregamento, vindo de Pequim, na China, chegou ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, às 6h13. O voo da companhia aérea Turkish Airlines passou por escalas na Turquia e Islândia.
O novo lote do IFA deveria ter chegado no dia 8 de abril. Com o atraso, o Butantan vai completar a entrega das 46 milhões de doses de Coronavac ao Ministério da Saúde até 10 de maio. A promessa inicial era que essas doses seriam entregues ao governo federal até o fim de abril. O atraso ocorre porque o processo de envase e rotulagem, etapa final de produção da vacina, vai demorar 2 semanas.
Inicialmente, o Butantan receberia 6 mil litros do IFA em um único lote, mas o envio da matéria-prima foi dividido. Os outros 3 mil litros do insumo para a Coronavac devem chegar antes do fim de abril, mas ainda não tem data definida.

O Instituto Butantan suspendeu o envase de doses da vacina CoronaVac após atraso na chegada de matéria-prima. No cronograma inicial, o Instituto deveria ter recebido a matéria-prima entre os dias 6 e 8 de abril. Para conseguir completar a entrega de 46 milhões de doses, prevista no primeiro contrato com o governo federal, o Instituto Butantan dependia da chegada do insumo da vacina, que é importado da China.
Em março, o Butantan recebeu uma remessa de 8,2 mil litros de IFA, correspondente a cerca de 14 milhões de doses. Outros 11 mil litros de insumos chegaram ao país em fevereiro.
Na semana passada, o Butantan entregou mais 1 milhão de doses da Coronavac ao Plano Nacional de Imunizações (PNI) e atingiu os 40,7 milhões de doses desde o início das entregas, em 17 de janeiro.
Após finalizar a entrega dos 46 milhões de doses ao Ministério da Saúde referente ao primeiro contrato assinado, o Butantan vai entregar mais 54 milhões de doses ao governo federal até o mês de setembro.

Doses da Coronavac entregues ao Ministério da Saúde em 2021
- 17 de janeiro: 6 milhões de doses
- 22 de janeiro: 900 mil doses
- 29 de janeiro: 1,8 milhão de doses
- 5 de fevereiro: 1,1 milhão de doses
- 23 de fevereiro: 1,2 milhão de doses
- 24 de fevereiro: 900 mil doses
- 25 de fevereiro: 453 mil doses
- 26 de fevereiro: 600 mil doses
- 28 de fevereiro: 600 mil doses
- 3 de março: 900 mil doses
- 8 de março: 1,7 milhão
- 10 de março: 1,2 milhão
- 15 de março: 3,3 milhões
- 17 de março: 2 milhões
- 19 de março: 2 milhões
- 22 de março: 1 milhão
- 24 de março: 2,2 milhões
- 29 de março: 5 milhões
- 31 de março: 3,4 milhões
- 5 de abril: 1 milhão
- 7 de abril: 1 milhão
- 12 de abril: 1,5 milhão
- 14 de abril: 1 milhão.
Eficácia
Um estudo clínico final sobre a Coronavac mostra que a eficácia da vacina é maior do que nos resultados iniciais divulgados entre dezembro e janeiro. O estudo foi feito pelo Instituto Butantan, que produz a vacina em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.
Segundo artigo científico encaminhado para revisão e publicação na revista científica Lancet, uma das mais respeitadas do mundo, a eficácia para casos sintomáticos de Covid-19 atingiu 50,7%, ante os 50,38% informados inicialmente. Ou seja, a vacina reduz pela metade os novos registros de contaminação em uma população vacinada.
Covid: Variante acelera intubação de jovens e SP orienta procurar ajuda no 1º dia de sintomas
Segundo secretário municipal de saúde de SP, jovens estão chegando aos hospitais e sendo intubados em menos de 24 horas. Agravamento rápido da doença pode estar ligado à variante de Manaus, chamada de P.1.
Por BBC — São Paulo.
O avanço da variante P.1, descoberta em Manaus em janeiro, levou a cidade de São Paulo a mudar sua orientação para todos aqueles que forem infectados por coronavírus. Agora, eles devem procurar uma unidade de saúde assim que surgirem os sintomas, e não mais quando eles se agravarem.
Segundo a prefeitura, a mudança tem três motivos, todos associados à nova variante: agravamento rápido do quadro de saúde, mais jovens atingidos e tempo de internação maior.
- PERGUNTAS E RESPOSTAS: O que torna a variante brasileira do coronavírus tão perigosa?
- Estudo mostra eficácia maior da CoronaVac, inclusive contra variantes do coronavírus
"Não só o processo de internação é mais longo, a viremia (presença do vírus no sangue), mas o agravamento é muito repentino na P.1. Há relatos do atendimento na ponta de jovens que são internados e em 24 horas já precisam ser intubadas. Literalmente isso", afirmou o secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido, em entrevista à BBC News Brasil.
Levantamentos apontam que a variante, mais contagiosa, já está presente em mais de 80% dos pacientes da Grande São Paulo no início de março. A P.1 tem avançado rapidamente em outras partes do país. No Rio de Janeiro, estima-se que a incidência dela passou de 67% em fevereiro para quase 100% em abril.
- 'Não existe mais grupo de risco': entenda por que cientistas defendem alerta amplo, sobretudo para os mais jovens
Essa variante do coronavírus é mais contagiosa, entre outros motivos, por causa de mutações que facilitaram a invasão de células humanas. Essa característica pode estar ligada a outras duas hipóteses que estão próximas de serem confirmadas por cientistas: agravamento mais rápido do quadro de saúde e maior letalidade.
Até agora há diversos relatos de profissionais de saúde da linha de frente que reforçam essas possibilidades, mas os estudos conclusivos só devem ficar prontos nas próximas semanas. Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), baseado em quase metade dos 55 mil leitos de UTI do país, apontou na onda atual um aumento de 40% no número de pacientes que precisaram ser intubados e receber ventilação mecânica.
"A preocupação de São Paulo se justifica diante de tudo que temos visto em diversas partes do país. A evolução mais rápida, um alastramento muito maior e mudança no perfil de casos, atingindo também pessoas mais jovens. A evolução mais rápida do quadro de saúde é um fato registrado em diferentes localidades", disse o virologista Fernando Spilki, professor da universidade Feevale e da rede Corona-ômica BR MCTIC/Finep, projeto de sequenciamento do Sars-CoV-2.
Mas se o sistema de saúde está em colapso pelo país, com milhares de pessoas nas filas à espera de UTI e falta de insumos e profissionais de saúde, por que São Paulo passou a recomendar que ainda mais pessoas busquem atendimento médico logo no início dos sintomas?
E o que dizer das cidades menores? Elas teriam capacidade de absorver essa demanda ainda maior por atendimento? Dificilmente, afirmam especialistas ouvidos pela reportagem.
Jovens e o atendimento tardio
Uma das principais características associadas à nova variante é a maior incidência entre os mais jovens. A maioria dos casos registrados em 2021 em São Paulo, por exemplo, se concentra entre pessoas de 20 a 54 anos.
Dados do governo paulista apontam que na primeira onda da pandemia mais de 80% dos leitos UTIs eram ocupados por idosos e portadores de doenças crônicas, e agora 60% das vagas são ocupadas por pessoas de 30 a 50 anos, a maioria sem doença prévia. Dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) apontam alta de 17% nos pacientes de até 40 anos em UTIs.
A principal hipótese para isso é epidemiológica, e não uma predileção do vírus por mucosas mais jovens. Há uma exposição grande de homens dessa faixa etária, por exemplo, que não podem deixar de sair para trabalhar ou de circular em transportes públicos lotados. Há também aqueles, minoritários, que não deixaram de frequentar festas.
Mas o que o aumento de casos entre os mais jovens tem a ver com o agravamento da doença mais rápido?
Bem, a linhagem do coronavírus identificada em Manaus apresenta mutações nos genes que codificam a espícula, a proteína que permite a entrada do vírus nas células humanas e, portanto, pode facilitar a infecção pelo Sars-CoV-2.
Jovem de SC gabarita matemática no Enem, tira 980 na redação e é aprovada em medicina na UFSC:
Desejo por ser médica surgiu durante a pandemia para 'poder ajudar'. Moradora de Criciúma teve aulas à distância, estudava 8h diárias e ficou em 5º lugar.
Por Carolina Fernandes e Fernanda Mueller, G1 SC e NSC.
Uma jovem de 17 anos de Criciúma, no Sul catarinense, que gabaritou a prova de matemática do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi aprovada no curso de medicina na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Carolina Casagrande ficou em 5º lugar. Além de acertar todas as questões em uma das matérias mais temidas pelos estudantes, ela alcançou 980 pontos em redação.
"Nem estou acreditando, me esforcei tanto para isso e agora que consegui, parece que estou sonhando acordada", disse Carolina.
Foi com a nota, desta que foi a sua terceira prova do Enem, que a jovem conseguiu obter a aprovação no curso sonhado. O processo seletivo da instituição em 2021 disponibilizou 2.516 vagas, em que os estudantes tiveram que optar por serem selecionados via nota do Enem ou de provas de vestibulares da UFSC de anos anteriores.
"Eu já tinha uma noção que eu ia acertar, pelo menos, 40 questões de matemática. Mas quando eu vi que realmente tinha sido as 45, conferi aquele gabarito umas três, quatro vezes, porque não conseguia acreditar. Sempre tive facilidade [com a disciplina], desde pequena, quando não via um 10 sabia que podia ter feito melhor ", afirma a estudante.
O ano que passou, segundo ela, foi desafiador por ter que conviver com uma nova rotina de estudos diferente e ter que se adaptar às aulas a distância. Os erros e acertos das provas anteriores também colaboraram para atingir o resultado adquirido. Foram pelo menos oito horas de estudo por dia.
"Eu sempre me preocupei muito com os meus estudos. Lembro de ter sete anos e não querer tirar um 8 em matemática. Eu sabia que o estudo era a ponte para conquistar o meu sonho, então tive que superar as adversidades, mesmo com a pandemia que deixou tudo mais difícil", explica.
Carolina conta que a escolha por cursar medicina surgiu no último ano do Ensino Médio, quando, com a pandemia, aumentou o desejo de "poder ajudar na prática” as pessoas.
"A pandemia me assusta um pouco, mas saber que vou poder contribuir positivamente motivou ainda mais minha escolha. Não tenho muita noção da área, mas tenho certeza que a área de pesquisa me encanta", conclui.
Lista de aprovados
No sábado (17), A Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) da UFSC publicou as listas de aprovados no primeiro processo seletivo 2021 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A etapa online da matrícula para todos os candidatos classificados dentro do número de vagas começa na terça-feira (20) e vai até o dia 23 de abril.
As vagas remanescentes de matrículas não confirmadas serão oferecidas em segunda chamada. A Coperve publicou também uma relação com as notas máximas e mínimas dos classificados em cada curso, separadas por categoria, para orientar os candidatos interessados em figurar em lista de espera
Leite materno produzido por mães vacinadas tem anticorpos contra a Covid-19, diz estudo
Pesquisa acompanhou 84 mulheres que tomaram o imunizante da Pfizer/Biontech. Pesquisadores avaliam que o resultado sugere que os anticorpos presentes no alimento podem ajudar a proteger bebês contra a Covid.
Por Bruna de Alencar.
Dois anticorpos específicos contra o novo coronavírus (IgA e o IgG) foram identificados no leite materno produzido por mulheres que receberam a vacina, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista científica americana "The Journal of the American Medical Association (JAMA)".
Os pesquisadores avaliam que o leite materno pode ser uma fonte de anticorpos contra a Covid-19 para os recém-nascidos, embora essa conclusão dependa de novos estudos específicos.
“Os anticorpos encontrados no leite materno dessas mulheres mostraram fortes efeitos neutralizantes, sugerindo um potencial efeito protetor contra infecção em bebês”, afirmam os cientistas no artigo sobre a pesquisa.
Para chegar aos resultados que confirmaram a presença dos anticorpos no leite, os pesquisadores acompanharam um grupo de 84 mulheres em Israel entre 23 de dezembro de 2020 e 15 de janeiro deste ano.
Todas as participantes receberam as duas doses do imunizantes fabricado pela Pfizer-Biontech respeitando o intervalo de 21 dias entre as doses.

As amostras de leite materno foram colhidas antes e depois da administração da vacina. Após a aplicação do imunizante, os pesquisadores coletaram o leite materno semanalmente durante um período de seis semanas a partir do 14º dia após a primeira dose da vacina. Ao todo, foram colhidas 504 amostras de leite materno.
Dentre as amostras colhidas na primeira semana, 61,8% apresentaram anticorpos IgA contra a Covid. Após a segunda dose da vacina, esse percentual sobe para 86,1%.
Já no caso do anticorpo IgG, os níveis das células de defesa contra a doença permaneceram baixos durante as três primeiras semanas e foram aumentando a partir da quarta semana, após a segunda dose do imunizante. Entre as semanas 5 e 6, 97% das amostras de leite materno testadas apresentaram o anticorpo.
Esse aumento acontece porque a segunda dose da vacina é responsável por estimular o corpo a produzir um número maior de anticorpos, enquanto que a primeira dose ensina o corpo a reagir à doença.
A pesquisa investigou dois anticorpos: O IgA e o IgM. Os anticorpos são proteínas do sistema imune e são uma das frentes de defesa do corpo contra doenças. Existem diferenças entre os anticorpos: o IgA, no geral, protege contra infecções de membranas mucosas presentes na boca, vias aéreas e aparelho digestivo. Já o IgG é o principal anticorpo presente no sangue e age dentro dos tecidos para combater infecções.
Eficácia nos bebês
Os pesquisadores, liderados por Sivan Haia Perl, do Shami Medical Center, apontam que o estudo tem limitações e não permite concluir que bebês estão protegidos contra a Covid por terem recebido anticorpos no leite materno. Eles aponta que não realizaram "nenhum ensaio funcional" para testar a possibilidade, embora estudos anteriores já tenham mostrado capacidade de neutralização dos mesmos anticorpos.
Austrália registra 1ª morte por Covid-19 em 2021
'Não vai ter lockdown', diz Bolsonaro após Brasil registrar 4,2 mil mortes em um dia
Governadora em exercício do Estado, Daniela Reinehr (sem partido), recebeu a comitiva presidencial no aeroporto Serafim Enoss Bertaso e vai acompanhar toda a visita.
Por G1 SC.
Um dia após o Brasil registrar 4,2 mil mortes nas últimas 24 horas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar a adoção de medidas restritivas para tentar frear o avanço da Covid-19 no Brasil e disse que não haverá um lockdown nacional.
As ações para restringir a circulação de pessoas têm sido defendidas por autoridades sanitárias para enfrentar a pandemia no país, que vive seu maior pico e responde hoje por um em cada três mortos pelo novo coronavírus no mundo.
Bolsonaro voltou a defender o chamado "tratamento precoce", com o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença e que, segundo a Associação Médica Brasileira, deveriam ter seu uso contra a Covid banido.
O presidente fez uma visita de trabalho no Centro de Eventos onde foi desativada uma unidade semi-intensiva para pacientes com Covid-19.
A governadora em exercício do Estado, Daniela Reinehr (sem partido), recebeu a comitiva presidencial no aeroporto Serafim Enoss Bertaso e acompanha toda a visita. A secretária de Estado da Saúde, Carmen Zanotto (Cidadania), também está presente. Todos estão usando máscara de proteção contra o vírus.
O encontro ocorre no Centro de Eventos. A montagem do espaço foi uma das principais medidas do município para enfrentar o colapso no sistema de saúde em fevereiro por falta de leitos para tratamento da Covid-19. No sábado (3), com a transferência do último paciente do local, a estrutura, que tinha 75 vagas, foi desativada.
MG tem recorde de mortes por Covid registradas em 24 horas, com mais de 500 óbitos em um dia
Ao todo, estado já teve 1.182.847 casos confirmados da doença desde o início da pandemia. Foram 13.358 novos registros de infectados por Covid-19 só nas últimas 24 horas.
Por Cristina Moreno de Castro, G1 Minas — Belo Horizonte.
Apenas cinco dias desde o último recorde, Minas Gerais chegou mais uma vez, nesta quarta-feira (7), ao número mais alto de vítimas da Covid-19 registradas em apenas 24 horas. Desde a véspera, foram notificadas no estado 508 mortes em decorrência da doença.
Em todo o Brasil, foram 337,6 mil mortes pela doença registradas até 20h desta terça-feira. Só nas 24 horas anteriores, houve registro de 4.211 óbitos. Foi a primeira vez que o número de um dia ultrapassou 4 mil no país.
Só em Minas Gerais até esta quarta-feira (7), 26.303 pessoas morreram de Covid-19, de um total de 1.182.847 infectados. Foram registrados 13.358 novos casos confirmados no último dia.
Desde o início da pandemia, 97.494 mineiros tiveram que ser internados, na rede pública ou privada. Os outros 1.085.353 ficaram em isolamento domiciliar.
O vídeo abaixo mostra a situação da capital, Belo Horizonte. Na cidade, apesar de a taxa de transmissão ter caído, a ocupação das UTIs está perto do limite (leia mais abaixo).

Em todo o estado, 1.061.397 pessoas são consideradas "recuperadas". Ou seja, são pessoas que atendem a três pré-requisitos:
- estão há 72 horas assintomáticas
- receberam alta hospitalar e/ou cumpriram isolamento domiciliar de dez dias
- estão sem intercorrências
Dentre as pessoas que morreram por Covid-19 no estado, 78% tinham 60 anos ou mais, 70% tinham alguma comorbidade (especialmente cardiopatia e diabetes) e 55% eram homens.
- Memorial do G1: conheça os rostos e histórias das vítimas da Covid-19
Dos 853 municípios de Minas Gerais, 808 já tiveram pelo menos um registro de morte causada pela Covid-19 desde o início da pandemia, ou 95% do total.
Brasil bate recorde e registra 4.195 mortes por Covid-19 em 24 horas
Guanambi.: Em março, 15 pacientes morreram esperando vaga em UTI.
Com todos os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da região praticamente ocupados, a maior parte das últimas vítimas da Covid-19 em Guanambi, morreram enquanto aguardavam regulação para um hospital de referência. As mortes ocorreram nos leitos de semi-UTI montados no Hospital Municipal para estabilizar pacientes em estado grave antes da transferência para UTI.
Em março, dos 25 óbitos registrados (50% do total), 15 vítimas (60%) aguardavam regulação para UTI. Os oito últimos óbitos registrados no respectivo mês, se encaixam nesse cenário.
O município confirmou desde o início da pandemia até o momento 50 óbitos, desses, pelo menos 26 (52%) estavam internados em UTIs. O último óbito, registrado nesta quinta-feira (1º), foi de um paciente que estava internado em Vitória da Conquista.
Família de trigêmeos que perderam mãe, avó e tia para Covid-19 recebe ajuda: 'Ser humano é muito bom
Ana Paula, Karina e Valentina, de Parisi (SP), morreram com diferença de 8 dias. Pai dos trigêmeos havia morrido de acidente meses antes. Tio conta que ganhou materiais e mão de obra para construir quarto e banheiro para os sobrinhos; doações vieram até dos Estados Unidos.
Por Renato Pavarino, G1 Rio Preto e Araçatuba.
Responsável por acolher os trigêmeos que perderam o pai em um acidente de trânsito e viram a mãe, a avó e a tia morrerem por complicações da Covid-19, o vendedor Douglas Junior Faria Amaral, de 26 anos, começou a receber ajuda e doações de pessoas sensibilizadas com a história dos sobrinhos.
"Recebemos muitas doações de alimentos. Ganhamos tijolos, azulejos, pia e materiais para usarmos na construção do quarto e do banheiro dos meninos. Pedreiros e eletricistas se ofereceram para trabalhar de graça, um arquiteto também vai fazer o projeto sem cobrar nada. Além disso, um site está fazendo uma vaquinha online", diz o vendedor, que também é pai de uma menina de 1 ano e 7 meses.
Morador de Votuporanga, cidade do interior de São Paulo, Douglas relata gratidão, surpresa e felicidade com toda a ajuda que a família está recebendo de amigos e desconhecidos.
"Recebi até uma ligação de um morador dos Estados Unidos. Ele viu a reportagem no G1, entrou em contato conosco e nos enviou uma ajuda. Olha onde a história chegou, é uma coisa surreal. Ficamos muito felizes em sentir todo esse amor. O ser humano é muito bom. Precisamos acreditar nisso", conta Douglas, que sonha em conseguir uma bolsa de estudos para os trigêmeos e afilhados.
"Estudo é tudo. Me preocupo muito com isso, porque estudei em escola pública. Sei como funciona. Meus sobrinhos também precisam de um apoio psicológico. Eles estão abalados com tudo que aconteceu. Um deles até mudou muito de comportamento. Ele era muito tranquilo antigamente", afirma.
Depois de acolherem os trigêmeos Pedro, Paulo e Felipe, que ficaram órfãos aos 5 anos, Douglas e a esposa, Luana Amaral, tentam conseguir a guarda dos meninos na Justiça.
"Conversamos com um advogado. O pedido de guarda provisória deve estar para sair, mas a permanente demora um pouco", conta.
Oito dias de diferença
Ainda tentando lidar com a dor de perder três integrantes da família para a Covid-19 em oito dias de diferença, Douglas relata que a irmã, Karina Angélica Faria, de 33 anos, morreu no dia 13 de março.
Três dias depois, a outra irmã e mãe dos trigêmeos, Ana Paula Faria, de 37 anos, também não resistiu. A última a vir a óbito da família foi a mãe de Douglas, Valentina Peres Machado, de 66 anos, no dia 21 de março.
"Fiquei sem chão. Não conseguia acreditar que estava passando por aquilo. Foi terrível enterrar minhas duas irmãs e minha mãe uma atrás da outra, sem poder vê-las pela última vez. Pegaram os corpos, colocaram em um caixão e enterraram", diz o rapaz.
Ana Paula, Karina e Valentina moravam e foram sepultadas em Parisi, cidade onde o pai dos trigêmeos, Renato Santos, sofreu o acidente cinco meses atrás.
"Estava tudo lotado"
A primeira da família que precisou ser internada foi Valentina. Até então, Ana Paula e Karina permaneciam na casa onde moravam, sem apresentar sintomas graves da doença.
Porém, Douglas diz que as duas irmãs pioraram e também precisaram procurar ajuda no posto de saúde de Parisi, cidade que conta com apoio de hospitais da região para atender pacientes com quadros avançados da doença.
"Meu outro sobrinho, de 18 anos, também testou positivo. Os três foram juntos para o posto de saúde. A Ana Paula era quem estava pior dos três. Meu sobrinho recebeu alta, mas minhas irmãs permaneceram internadas porque não tinha vaga disponível em outros hospitais. Estava tudo lotado", diz.
Enquanto aguardava por um leito, Karina piorou repentinamente, sendo necessário que os profissionais de saúde acionassem uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel para atendê-la às pressas
"Quatro horas da manhã meu pai, que trabalha na área da saúde, ligou para dar a notícia da morte da Karina. Meu tormento começou nesse momento. Minha vida virou de ponta-cabeça e começou a ficar escura", afirma.
No mesmo dia em que ele enterrou Karina, Ana Paula foi transferida para a Santa Casa de Votuporanga, município a cerca de 16 quilômetros de distância de Parisi.
"Passei a noite inteira no hospital, querendo saber notícia da Ana Paula, mas ninguém me dava. No domingo, um amigo, que trabalha dentro do hospital, ligou e perguntou se minha irmã tomava algum remédio controlado, porque ela estava sedada, mas muito agitada. Fui buscar o remédio e o entreguei para a assistente social", relembra Douglas.
O vendedor relata que a irmã foi intubada, mas não reagia aos medicamentos e, em seguida, sofreu uma parada cardíaca. Assim como aconteceu com Karina, ele recebeu a notícia do óbito de Ana Paula de madrugada.
"A Ana Paula não soube da morte da Karina. Ela estava consciente quando a Karina morreu, mas a gente preferiu não contar, por conta do estado dela. Enterramos a Ana Paula na mesma situação que a Karina. Horrível demais", conta.
Diferentemente das filhas, Valentina estava internada no Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP), unidade referência para mais de 100 cidades da região noroeste paulista.
A idosa também precisou ser intubada e chegou a apresentar uma leve melhora. O filho relembra que os médicos começaram a diminuir os sedativos, mas a mãe não reagia.
"Os médicos também disseram que ela estava com febre e poderia ser uma infecção, mas que estavam tentando descobrir o motivo. Depois fiquei sabendo que a infecção tinha tomado todo o corpo dela e que a qualquer momento algum órgão poderia parar. E foi o que aconteceu. Recebi a notícia da morte dela também de madrugada", lamenta.
Nossos filhos
Com a morte precoce de Ana Paula, o vendedor diz que decidiu, junto com a esposa, acolher e cuidar dos trigêmeos.
"Minha vida sempre foi muito organizada e planejada. Eu não tinha planos de ter mais filhos. É uma responsabilidade gigante, mas minha esposa me olhou, disse que eram meus sobrinhos e decidimos que iríamos tratá-los como filhos. Hoje vejo que, realmente, os três tinham que ser nossos", diz Douglas, que tem uma filha bebê de 1 ano e sete meses.

Apesar de estarem somente no quinto ano de vida, Pedro, Paulo e Felipe sabem que perderam o pai e a mãe. Douglas diz que os três foram seu alicerce para não entrar em depressão com a morte da mãe e das irmãs.
"Eu vi motivo neles para não deitar e ficar chorando. Eles me sustentaram. Nossa vida mudou, mas vamos adaptá-la. Eu e minha esposa éramos pai de uma criança, hoje somos de quatro, e assim será daqui para frente", diz.
Surpresa no parto
Em 2016, Ana Paula entrou na sala de cirurgia para dar à luz gêmeos. Contudo, soube pela equipe médica, durante o parto, que os gêmeos, na verdade, eram trigêmeos.
"Eu sabia que eram gêmeos, e na hora do parto descobri que tinha mais um. Foi um presente de Deus. Primeiro veio o susto, mas depois a emoção”, afirmou a mãe na época.
O parto foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na Santa Casa de Votuporanga, em 5 de janeiro.
"Em nenhum exame ou ultrassom que tinha feito durante a gravidez tinha apontado os três, apenas gêmeos. Agora é cuidar dos três. Carinho e amor não vão faltar", disse Ana Paula na época.
Segundo o médico radiologista Alexandre Henrique de Parma, casos como esse podem acontecer, independentemente do profissional ou equipamento de ultrassom usado no exame.
"De maneira geral, casos como esse não são comuns, mas podem acontecer, devido às limitações técnicas do exame em pacientes obesas, onde até mesmo a imagem do feto pode ser confundida. Isso também pode ser ocasionado quando a ultrassonografia não é realizada nos primeiros meses de gestação", afirmou também na época.
Voltaremos a nos abraçar após a pandemia?
A Covid-19 ensinou a manter a distância. Apertos de mão e abraços parecem coisa de um passado distante. Mas não se pode viver sem contato físico para sempre, como mostraram outras pandemias.
Por Deutsche Welle.
Em meio à pandemia, manter distância demonstra empatia e respeito para com os outros: é uma forma de proteger tanto estranhos quanto amigos, familiares e a si mesmo da Covid-19.
Ao mesmo tempo, parece errado atravessar a rua evitando contato humano e abster-se de abraçar os amigos e a família. Passou-se a tremer por dentro ao ver multidões nos filmes, embora pessoalmente se sinta falta da proximidade.
Diversos estudos mostram o impacto negativo do distanciamento social. Embora não passe de um minúsculo vírus, o Sars-Cov-2 vem afetando diversos aspectos da vida, especialmente o psicológico.
Impossível imaginar o fim do túnel
A pandemia é como uma interminável viagem de carro, com eventuais engarrafamentos, em que o passageiro fica pensando: "Quanto tempo falta? Quando vamos finalmente chegar lá?" Ao fim, espera-se alívio, o bem merecido descanso após uma temporada extremamente estafante. A expectativa é de volta à boa e velha normalidade, sem máscaras, sem ter que manter distância interpessoal.
Mas será que essa normalidade vai voltar algum dia? O psicólogo Steven Taylor, da Universidade de British Columbia de Vancouver, no Canadá, que também se ocupa da questão, reconhece: "Muitos acham difícil um retorno ao normal, devido a um viés cognitivo."
O efeito de ancoragem ou focalismo descreve a tendência humana a se agarrar à primeira de uma série de informações, baseando nessa primeira impressão todas as ações subsequentes, sejam avaliações, argumentos ou conclusões.
"Hoje, em 2021, achamos difícil imaginar um futuro em que se apertem as mãos, abrace e assista a concertos, porque estamos psicologicamente ancorados num presente em que tais coisas são proibidas ou incertas", explica o autor do livro "Psychology of pandemics: Preparing for the next global outbreak of infectious disease" ("Psicologia da pandemia: Preparando-se para o próximo surto global de doença infecciosa").
Antecedentes sem sequelas psicológicas
Observando-se epidemias e pandemias das últimas décadas, "não há qualquer indicação de efeitos de longo prazo sobre o funcionamento psicológico", afirma Taylor. Claro, isso pode se dever ao fato de que foram emergências relativamente brandas, comparadas à da covid-19.
Com a assim chamada "gripe espanhola", entretanto, foi diferente: práticas de higiene como lavar as mãos, cobrir a boca ao tossir e não cuspir no chão provavelmente se tornaram mais comuns depois de 1918. Porém é notável que não houve outras mudanças de comportamento duradouras.
"Considere-se, por exemplo, o uso de máscaras protetoras em público, que era comum e até mesmo compulsório nos países ocidentais durante a pandemia de 1918: o hábito desapareceu rapidamente, depois de a ameaça ter passado", relata o professor.
Com a Covid-19, todos tiveram que se acostumar a usar máscaras. A situação no Ocidente era diferente da dos países asiáticos, onde elas já eram um hábito estabelecido, como forma de impedir a transmissão de resfriados.
"A epidemia de Sars de 2003 em alguns países asiáticos, por exemplo em Taiwan, provavelmente teve uma influência duradoura, e preparou esses países para impor confinamentos rapidamente e logo no começo da covid-19", aponta Taylor.
Não se sobrevive sem contato físico
Logo após o fim da pandemia do novo coronavírus, pode ocorrer uma espécie de breve "loucos anos 20", prediz o psicólogo, "caracterizados por sociabilidade particularmente intensa, mas mesmo isso passará, à medida que as coisas voltarem ao que eram, antes da covid-19".
Martin Grunwald, diretor do Laboratório de Háptica do Instituto de Pesquisa Cerebral Paul Flechsig, da Universidade de Leipzig, está confiante: "A maioria vai voltar a apertar as mãos, se abraçar, frequentar bares cheios e assistir a eventos em estádios lotados, como partidas de futebol. Aos primeiros sinais de que o contato com outro ser humano não é mais perigoso, vamos reverter ao velho comportamento."
Isso, porque o toque é algo essencial, no nível biológico: "O organismo humano só se desenvolve no contato mais próximo com o outro. É, por assim dizer, uma experiência fundamental da nossa espécie."
Enfim: o ser humano não pode existir sem o toque. E ele não está só pois todo mamífero que depende dos cuidados dos progenitores na infância precisa de contato físico para se desenvolver devidamente.
"Interação física com o outro está, por assim dizer, no nosso DNA biológico ou social. Ela é configurada por nossas experiências como crianças, como bebês. Vamos encontrar o caminho de volta para essas formas básicas de comunicação", assegura Grunwald.
A instintiva arte do abraço
Considerando que Taylor e Grunwald estejam certos, tão logo haja indicações de que o contato interpessoal não é mais perigoso, virá a vontade de se abraçar novamente. Mas será que todos ainda saberão como se faz? Como abordar os outros? Como comunicar o desejo de proximidade, toque e abraço?
"Certamente vai ser meio desajeitado no início. Você já vê que agora, quando encontramos alguém, não sabemos muito bem como cumprimentar", registra Sabine Koch, professora de terapia de dança e movimento na Escola Superior de Ciências Aplicadas SRH, em Heidelberg, e diretora do Instituto de Pesquisa de Terapias Artísticas da Universidade Alanus, nas cercanias de Bonn.
Muito antes da pandemia, ela já vinha pesquisando os abraços: por exemplo, como ritmos corporais comunicam a necessidade de proximidade. Há três estágios do abraço: primeiro movimentos suaves, redondos, depois o corpo fica mais tenso.
Por último vem uma batidinha nas costas ou no ombro, sinalizando o fim do abraço, como que dizendo "Chegou para mim, podemos nos largar". Essa sequência, segundo Koch, é o que compõe um bom abraço.
Durante seu estudo, porém, ela também observou uma exceção interessante: as três fases se aplicam a todas as combinações de mulheres com homens ou de mulheres entre si, mas não quando homens se abraçam. Pelo menos num contexto público, os abraços masculinos começam imediatamente com uma batidinha nas costas, que é um gesto combativo.
Jogo de sensibilidades não verbais
Portanto, a pandemia seguramente não vai fazer que se esqueça como abraçar. Mas Koch parte do princípio que no começo vai haver alguma reserva, uma espécie de fase de transição. A decisão será "se e como o abraço acontece, no nível não verbal, numa negociação do tipo 'Está bem abraçar você agora, ou não?'"
"Nosso estudo também mostrou que os indivíduos têm níveis muito diferentes de sensibilidades não verbais", explica a especialista em terapia de movimento. Ou seja: há quem perceba imediatamente quando alguém dá a batidinha durante o abraço, dando o sinal para se soltar, e dá um passo atrás. Outros notam muito mais tarde, ainda outros não notam nada.
Após a pandemia, a sensibilidade de cada um é especialmente importante. Há sinais reais de que a outra pessoa também quer um abraço? Às vezes não é fácil dizer. Então em caso de dúvida, talvez convenha se conter. Ou perguntar diretamente.
Jovem perde pai, mãe e avô para a Covid em duas semanas: 'Quando a avalanche chega, leva tudo'
Ryan Lucatto, de 20 anos, e o irmão, de 10 anos, de Jundiaí (SP), foram acolhidos pelos tios. Campanha foi criada nas redes sociais para ajudá-los.
Por Talissa Medeiros*, G1 Sorocaba e Jundiaí.
Um jovem de Jundiaí (SP) viveu um dos piores momentos de sua vida no mês de março: o pai, a mãe e o avô dele morreram de Covid-19 em duas semanas.
Ao G1, Ryan Henrique Nogueira Lucatto, de 20 anos, conta que todos os membros da família pegaram a doença e, em alguns parentes, ela se agravou bruscamente de um dia para o outro.
O pai dele, Ecio Nogueira Lucatto, de 42 anos, precisou ser internado no início do mês devido às complicações da Covid. Ryan relata que ele sentia muita falta de ar e fraqueza.
Enquanto estava internado, Ecio chegou a fazer uma chamada de vídeo com a família pedindo desculpas por não ter acreditado na gravidade doença. No dia 15 de março, uma segunda-feira, ele foi intubado e acabou morrendo durante a noite.
O avô de Ryan foi a segunda vítima da família. Luis, de 67 anos, foi internado e ficou intubado durante dois dias, mas veio a óbito na mesma semana em que Ecio morreu.
A mãe do jovem, Fernanda Monica de Sousa Lucatto, de 43 anos, também contraiu o coronavírus, mas permanecia estável em relação aos sintomas até então. Segundo o filho, ela piorou de um dia para o outro.
Ryan conta que, quando Fernanda estava na UTI, os médicos permitiram que ele fosse visitá-la para se despedir. A mãe morreu no dia seguinte à visita, 26 de março.
"Os médicos e enfermeiras pediam socorros com os olhos, todos com olhar de tristeza, todos da UTI estão exaustos. Tenha uma imensa gratidão por todos, mas, quando a avalanche chega, leva tudo e já é tarde demais", comenta.
Apoio e carinho
Após a tragédia, Ryan e o irmão foram acolhidos como "filhos" pelos tios, que estão dando todo o suporte que os dois necessitam nesse momento.
Além disso, vizinhos, amigos da família e alguns moradores da cidade se mobilizaram e também estão ajudando os irmãos com campanhas, doações e muito carinho.
"Hoje, eu estou agindo mais pela razão, não pela emoção. Não tenho nem como agradecer", finaliza Ryan.
Covid-19 provoca mortes de ao menos dez prefeitos no país em 2021
"Não tenho palavras suficientes para expressar a dor que estamos passando. Coremas está de luto e ainda chora a partida precoce, trágica, da doutora Chaguinha [...] Para mim vai ser sempre a nossa prefeita. Era uma grande amiga, líder."
Em 18 de março, foi a vez de o prefeito licenciado de Vitória da Conquista (BA), Herzem Gusmão (MDB), 72, ter sido vítima do coronavírus. Ele morreu na noite daquele dia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Gusmão estava internado desde 26 de dezembro e tomou posse virtualmente em 1º de janeiro.
China sob pressão depois que a OMS voltou a citar a tese de fuga da covid-19 de laboratório
A nova face da pandemia: internações de jovens crescem até 500% no Brasil
Faixa etária entre 40 e 49 foi a que deu mais entrada em hospitais, refletindo o rejuvenescimento dos atingidos pelo coronavírus no país.
Por Fantástico.
A Covid-19 rejuvenesceu no Brasil. Se em 2020 os mais afetados eram dos grupos de risco, principalmente entre os mais velhos, em 2021 o coronavírus passou a atingir e matar muito mais entre os jovens. É o que uma análise da Fiocruz confirmou: as internações de adultos e jovens por Covid explodiram, crescendo num ritmo muito mais acelerado do que no resto da população.
Entre o começo de 2021 e março, as hospitalizações cresceram 300% no Brasil. Entre pessoas de 40 a 49 anos, esse índice foi quase o dobro. Nas faixas de 30 a 39 anos e de 50 a 59 anos, ficou acima de 500%. Hoje, uma em cada cindo pessoas com Covid internadas em UTIs no país tem entre 18 e 44 anos, segundo a Associação Brasileira de Medicina Intensiva.
Butantan entrega 5 milhões de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta segunda
É a maior remessa já entregue de doses envasadas pelo Instituto, que é responsável pela etapa final de produção. No total, já foram entregues 32,8 milhões de doses desde o início de janeiro.
Por G1 SP — São Paulo.
O Instituto Butantan liberou nesta segunda-feira (29) mais 5 milhões de doses da vacina CoronaVac ao Ministério da Saúde.
É a maior remessa já entregue de doses envasadas pelo Instituto, que é responsável pela etapa final de produção.
Em janeiro, o Butantan entregou lote com 6 milhões, mas de vacina já prontas, importadas da China. Veja mais abaixo as datas e quantidades de doses já entregues.
Os caminhões com carregamento da vacina deixaram a sede do Instituto por volta das 8h. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, estiveram no local para acompanhar a liberação.
Durante coletiva de imprensa no local, o secretário estadual da Saúde, disse que o Instituto receberá um novo lote de insumo entre os dias 6 e 8 de abril.
"Acabamos de receber a confirmação da área técnica do Butantan de que do dia 6 a 8 de abril teremos mais três milhões de doses da vacina, que virão através do insumo farmacêutico ativo", afirmou Gorinchteyn.
Com o novo carregamento, o total de vacinas oferecida por São Paulo ao PNI (Plano Nacional de Imunizações) chega a 32,8 milhões de doses desde o início das entregas, em 17 de janeiro. Até o dia 30 de abril, o total de vacinas garantidas pelo Butantan ao país somará 46 milhões.
O Butantan realiza uma força-tarefa para seguir envasando, em ritmo acelerado, doses para a entrega ao Programa Nacional de Imunizações. Para dar conta da demanda, o instituto dobrou o quadro de funcionários na linha de envase.
Próximas doses
No final de abril, o número de vacinas garantidas por São Paulo ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) somará 46 milhões. As doses de abril já estão em produção.
O Butantan trabalha para enviar outras 54 milhões de doses para vacinação dos brasileiros até 30 de agosto, totalizando 100 milhões de unidades.
Insumos
No dia 4 de março, o instituto recebeu uma remessa de 8,2 mil litros de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), correspondente a cerca de 14 milhões de doses, desembarcou em São Paulo para serem envasados, rotulados e embalados no instituto.
Em fevereiro, o diretor do Instituto, Dimas Covas, disse que até o Butantan deve receber 6 mil litros insumos em abril. Com eles será possível produzir 8 milhões de doses.

Doses da Coronavac entregues ao Ministério da Saúde em 2021
- 17 de janeiro: 6 milhões de doses
- 22 de janeiro: 900 mil doses
- 29 de janeiro: 1,8 milhão de doses
- 5 de fevereiro: 1,1 milhão de doses
- 23 de fevereiro: 1,2 milhão de doses
- 24 de fevereiro: 900 mil doses
- 25 de fevereiro: 453 mil doses
- 26 de fevereiro: 600 mil doses
- 28 de fevereiro: 600 mil doses
- 3 de março: 900 mil doses
- 8 de março: 1,7 milhão
- 10 de março: 1,2 milhão
- 15 de março: 3,3 milhões
- 17 de março: 2 milhões
- 19 de março: 2 milhões
- 22 de março: 1 milhão
- 24 de março: 2,2 milhões
- 29 de março: 5 milhões
Fonte: Instituto Butantan e Governo de SP
Força-tarefa dispersou 454 aglomerações na capital paulista em 1º final de semana de feriado prolong
Festa clandestina foi flagrada em casa noturna na Estrada de Taipas, na Zona Sul de São Paulo, na noite deste domingo (28).
Por Marcelo Pereira, Bom Dia SP.
A força-tarefa do Governo do Estado e Prefeitura de São Paulo dispersaram ao menos 454 aglomerações na capital paulista neste final de semana. Apenas na noite de sábado (27), foram 350 aglomerações.
Este foi o primeiro final de semana da recesso sanitário - feriado prolongado na capital com o objetivo de combater a disseminação do coronavírus.
Na noite deste domingo (28), uma festa clandestina foi flagrada em uma casa noturna na Estrada de Taipas, na Zona Sul de São Paulo. Os responsáveis pelo evento e testemunhas foram encaminhadas para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Foram formalmente apreendidos equipamentos de som e 3 máquinas de cartões de débito/crédito.
Também na noite deste domingo, moradores registraram imagens de um pancadão na Brasilândia, na Zona Norte da capital, na Rua padre Achiles Silvestre.
A força-tarefa é formada pelo Procon, Secretaria de Saúde , Vigilância Sanitária e Prefeitura de São Paulo.
Médico denuncia festa com som alto ao lado de Unidade de Saúde
Um médico denunciou em vídeo publicado na noite deste sábado (27) uma uma festa clandestina que acontecia com som alto ao lado de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) voltada para vítimas da Covid-19 em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.
O relato do profissional identificado como o Nelson Müzel viralizou nas redes sociais.
No vídeo de cerca de três minutos, Müzel conta que a unidade tem 73 pacientes internados, entre casos graves e não graves. Ele caminha cerca de 50 metros entre a porta da UPA - localizada na Vila Carmosina - e o estacionamento, onde o som de uma festa clandestina é muito alto. Segundo o médico, o barulho impossibilita a comunicação entre as equipes e os pacientes dentro da unidade.
"Isso é uma falta de respeito com a gente, que está aqui dando o sangue para promover pra esses pacientes qualidade de vida. Estamos trabalhando em condições insalubres. Isso é insustentável. A gente já está num nível de saturação que não dá pra aguentar", afirma Müzel.
Lotes com 347 mil novas doses da Coronavac chegam à Bahia nesta sexta-feira
Imunizante fabricado pela Fiocruz e pelo Butantan chegou por volta de 10h, em um voo comercial, no aeroporto de Salvador.
Por G1 BA.
Novas doses da vacina da AstraZeneca, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, chegaram ao aeroporto de Salvador, na manhã desta sexta-feira (26). Conforme o governo da Bahia, a carga, com 347 mil doses dos imunizantes chegou por volta das 10h em um voo comercial.
Segundo o governo, do total de doses, 141 mil foram produzidas pela Fiocruz e 206 mil pelo Butantan. Este é o nono envio que chega ao estado. Com a chegada desta carga, a Bahia totaliza 2.386.600 doses recebidas, desde o dia 18 de janeiro, quando chegou a primeira remessa, segundo informações da Sesab.
A última vez que a Bahia recebeu lotes de vacinas contra Covid-19 foi em 17 de março. Na ocasião, 308,6 mil doses chegaram no estado.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, antecipou que a capital baiana vai ficar com 60 mil imunizantes.
Na última terça-feira (23) a Bahia ultrapassou a marca de 1 milhão de baianos vacinados com a primeira dose da vacina contra o a doença. Com 1.213.020 vacinados contra a Covid-19, dos quais 303.015 receberam também a segunda dose, até às 15h de quinta-feira (25), a Bahia é o quarto estado do país com o maior número de imunizados.
As vacinas serão enviadas para o interior da Bahia em aeronaves do Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar e da Casa Militar do Governador (CMG), após a organização das doses feita pela equipe da coordenação de imunização do estado. Elas serão encaminhadas para as centrais regionais no interior da Bahia e depois despachadas para os municípios.
A previsão de chegada da vacinas em Ilhéus, cidade do sul da Bahia, e Eunápolis, que fica no extremo sul, é no período da tarde. Ainda não há definição sobre o horário exato. Já em Barreiras, no oeste do estado, os imunizantes devem chegar por volta das 16h30.
As doses que chegaram nesta sexta-feira serão enviadas, exclusivamente, aos 280 municípios que aplicaram 85% ou mais das doses anteriores. Esta foi uma decisão da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), que é uma instância deliberativa da saúde e reúne representantes dos 417 municípios e o Estado.
Esta nova remessa possibilita que continue sendo imunizado o público alvo da primeira fase do plano de vacinação contra Covid-19. Outra definição feita em CIB autorizou os municípios que conseguirem alcançar as metas da primeira fase, a ampliar a aplicação das doses para idosos de 60 anos ou mais, de forma escalonada. A resolução foi publicada em edição do Diário Oficial do Estado desta sexta.
Também em reunião da CIB ficou definido que a população quilombola e pessoas com doença renal crônica em tratamento de hemodiálise poderão ser vacinadas.
Coronavírus na Bahia
A Secretaria Estadual de Saúde divulgou 139 novas mortes por Covid-19 em um único dia, na quinta-feira. Com isso, o estado chegou a 13.631 mortes provocadas pela doença e 783.558 casos confirmados, desde o início da pandemia.
A Sesab informou também que na Bahia, até as 15h de quinta, 228 solicitações de internação em leitos de UTI adulto constavam no sistema da Central Estadual de Regulação. Além disso, haviam também 118 pedidos de regulação para leitos clínicos adulto.
O boletim informou também o número de vacinados no estado. De acordo com a Sesab, 1.213.020 pessoas foram vacinadas contra a Covid-19, dos quais 303.015 receberam também a segunda dose até as 15h de quinta.
Nesta sexta, os idosos com 68 anos ou mais que residem em Salvador terão acesso a primeira dose da vacina contra Covid-19.
Na parte da manhã, das 8h às 12h, serão atendidas as pessoas com 68 anos ou mais nascidos entre 26 de março e setembro de 1952. Já no período da tarde, das 13h às 16h, será a vez dos indivíduos com 68 anos ou mais nascidos entre outubro de 1952 e 26 de março de 1953.
Bruno Reis anunciou na manhã desta sexta, em entrevista ao Jornal da Manhã, que a vacinação contra a Covid-19 para idosos a partir de 67 anos começará na manhã de sábado (27) e os idosos com 66 anos no domingo (28).
Família encerra velório e leva corpo de criança a hospital após pastor dizer que ela estava viva; mé
Caso aconteceu na cidade de Itaetê, na madrugada de quinta-feira (25). Parentes receberam confirmação do hospital sobre falecimento da criança e, após fala do líder religioso, levaram o corpo da garota de volta à unidade.
Por G1 BA.
O corpo de uma garota de um ano e 10 meses, que estava sendo velado por familiares na cidade de Itaetê, na região da Chapada Diamantina, na Bahia, foi levado de volta ao hospital depois que um pastor evangélico disse à família que a criança estaria viva. O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira (25), após médicos do Hospital Municipal terem confirmado o óbito da menina.
De acordo com informações da unidade de saúde, a criança chegou ao hospital já sem sinais vitais. A equipe médica tentou reanimar a garota por cerca de 30 minutos, e o óbito foi confirmado pelo médico de plantão.
A família seguiu com os procedimentos do funeral durante a madrugada, porém, segundo a prefeitura, durante a cerimônia, parentes da menina procuraram uma unidade de saúde da família, informando que o pastor tinha tido uma revelação e que disse a eles que a criança estaria viva.
Mesmo após os profissionais do posto de saúde atestarem que a criança não tinha sinais vitais, os familiares levaram o corpo novamente ao hospital. A criança foi novamente avaliada pela equipe médica e teve, pela segunda vez, a confirmação da morte.
A Polícia Civil informou que recebeu relatos dos familiares de que a criança teria se movido durante o velório. A ocorrência foi registrada na Delegacia Territorial de Itaberaba e foi encaminhado à unidade de Itaetê, onde aconteceu a "revelação" do pastor, que irá apurar o caso.
Disse ainda que, como a causa da morte da garota não estava definida no laudo, expediu as guias para a perícia, que vai definir o motivo do óbito.
'É como soco no estômago': anestesista teme cenas de guerra com falta de sedativos para pacientes in
Médico do Hospital Tacchini, no RS, ele diz que está tendo que usar medicamentos em desuso e já prepara estoque de antipsicóticos e antialérgicos, pelo efeito colateral de sonolência, para usar na falta de sedativos.
Por Nathalia Passarinho, BBC.
"Você não vai sentir dor". Esta era a promessa que o anestesista Leonardo Camargo costumava fazer quando sedava pacientes para a intubação - a única promessa possível diante dos casos mais graves de covid-19.
Hoje, ele já não sabe se pode recorrer a essas palavras de conforto.
Os estoques de sedativos e bloqueadores musculares estão se esgotando em todos os Estados do Brasil, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). No hospital Tacchini, em Bento Gonçalves (RS), onde Camargo trabalha, os médicos já recorrem a medicamentos em desuso para manter os pacientes intubados e preveem o uso de antipsicóticos com efeito adverso de sonolência como alternativa em caso de escassez total de sedativos.
"A gente está associando sedação com medicamentos que usualmente não se usa em terapia intensiva para manter paciente em ventilação mecânica, como Metadona (opioide) e o próprio Bialzepam (ansiolítico) em comprimido", disse Carmargo à BBC News Brasil.
"São medicamentos que já estavam em desuso e a gente está associando para poder usar e baixar as doses dos outros remédios em falta. Sou anestesista há 15 anos e usei tiopental (barbitúrico usado para indução de anestesia geral) duas vezes lá na época da minha residência. A gente está começando a usar tiopental agora para os pacientes, porque os medicamentos mais modernos estão acabando."
Essa semana, porém, a equipe do hospital passou a discutir alternativas mais dramáticas diante de um cenário de falta total de sedativos e bloqueadores musculares usados para intubação.
Camargo conta que está levantando o estoque de antialérgicos e antipsicóticos, por serem remédios que provocam sonolência e leve sedação como efeitos colaterais. Eles seriam usados numa eventual tentativa desesperada de manter os pacientes inconscientes enquanto permanecem intubados.
"Enquanto tiver remédio para alergia, que dá um pouco de sedação, ou remédios antipsicóticos, como Heloperidal, vamos usar para tentar manter os pacientes intubados", disse o anestesista.
Caso o pior cenário se confirme e a escassez de sedativos não seja resolvida no curto prazo, as cenas que o médico descreve se assemelham a imagens dramáticas vistas em guerras: pacientes com dor se debatendo por falta de anestesia, tratamentos improvisados, prateleiras vazias e mais mortes.
"A gente ouve falar que em alguns locais tiveram que amarrar pacientes. Eu não sei se vamos chegar a isso", diz.
"A gente já está verificando o que tem de estoque. Está tentando criar essa contingência e se preparando para o pior."
Outra medida adotada pelo hospital onde Camargo trabalha foi interromper todas as cirurgias eletivas, já que analgésicos e sedativos que tradicionalmente eram usados só nos centros cirúrgicos passaram a ser utilizados, também, para manter os pacientes graves com covid-19 intubados.
"O principal malefício é que essa pandemia vai gerar outras pandemias. Quantos pacientes oncológicos vão perder seu tempo de cura? Quantos estão com dor e não conseguem fazer suas cirurgias?", lamenta.
"Sem contar que hoje a gente está com estoques baixando cada vez mais e isso afeta até os profissionais de saúde. Como vai ser daqui uma semana?"

'Fico nauseado'
Camargo diz que fica "nauseado" em pensar no que pode ocorrer se acabarem os medicamentos, um cenário que ele diz ser possível se não houver reabastecimento em 10 ou 15 dias.
Atualmente, o hospital onde ele trabalha tem 63 pacientes graves na UTI ou em leitos improvisados na sala de recuperação de cirurgias e no pronto socorro. Desses doentes graves, 39 estão intubados e contam com esse esforço de combinação de medicamentos modernos e em desuso para continuarem sedados.
Camargo explica que a presença de um tubo de oxigênio na garganta de alguém, que se prolonga até o pulmão, é um "estímulo muito agressivo".
Não é difícil de imaginar. Um paciente sem sedação se debateria e poderia tentar retirar o tubo com as próprias mãos, ferindo toda a faringe, diz o médico.
"Uma pessoa qualquer vai dar um pulo se você colocar uma colher no fundo da garganta para baixar a língua. Se o paciente intubado acordar, ele vai começar a se agitar, vai começar a brigar com o respirador, em alguns momentos, pode ter a extubação inadvertida por agitação", disse.
E, segundo Camargo, seria impossível intubar um paciente consciente, sem sedativo. Numa situação assim, os médicos poderiam se ver rodeados de pacientes se debatendo até morrer por falta de ar.
"A gente ouve falar que em alguns locais tiveram que amarrar pacientes. Eu não sei se vamos chegar a isso. Mas o risco é esse, de não conseguir ventilar os pacientes morrerem se debatendo por falta de oxigênio, porque a gente não vai conseguir fazer a ventilação mecânica."
A intubação é um procedimento importante para pacientes graves com insuficiência respiratória aguda, quando o pulmão perde a capacidade de oxigenar o sangue. Enquanto a máquina faz o trabalho de oxigenação e o paciente permanece sedado, os médicos aguardam que o organismo produza anticorpos contra a covid-19 e a inflamação no pulmão melhore.
Camargo diz que se sente impotente diante da perspectiva de não poder cumprir a própria função de anestesista em um hospital lotado de pacientes precisando de oxigênio.
"A sensação é de um soco no estômago. Nós podemos chegar a não ter remédios para manter os pacientes em oxigenação, em ventilação. Eu sou um anestesiologista que trabalha com essas drogas e eu posso me ver diante da situação de não poder fazer mais nada para manter esses pacientes sedados", lamenta.
"Isso pode acontecer daqui a 10 dias, 15 dias. Não sabemos. Fico até um pouco nauseado."
'Segurou na minha mão'
E o temor de deixar pacientes desassistidos se une ao medo de ver parentes e amigos nos leitos improvisados de UTI. Com o descontrole das infecções no país e os sucessivos recordes de mortes diárias, médicos passaram a ver rostos conhecidos nos leitos dos hospitais onde trabalham.
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Enfermeira Mônica Calazans, 1ª vacinada contra Covid no país, relata caos em hospitais de SP após au
'O caos está por conta das internações', diz a mulher que virou símbolo da vacinação no Brasil a respeito dos 30 mil pacientes internados com a doença no estado. Segundo o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), o sistema hospitalar em São Paulo está comprometido em razão da 'capacidade dos leitos já esgotada ou próxima do esgotamento em vários municípios'.
Por Kleber Tomaz, G1 SP — São Paulo.
A enfermeira Mônica Calazans, primeira pessoa vacinada no Brasil contra a Covid-19, relata caos em hospitais de São Paulo por causa do aumento no número de pacientes internados com a doença. Segundo o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), o sistema hospitalar no estado está comprometido em razão da "capacidade dos leitos já esgotada ou próxima do esgotamento em vários municípios".
“Eu acho que o caos está por conta das internações [nos hospitais]. O número de internações está muito grande. O número de casos está aumentando. Essa é a grande questão”, falou Mônica na última sexta-feira (19) ao G1.
Até quarta-feira (22), São Paulo tinha mais de 30 mil internados com coronavírus em hospitais. Desse total, aproximadamente 12 mil eram pacientes infectados pelo vírus que estavam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Com os dados incluídos nesta quarta, o estado chegou ao total de 68.904 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia e 2.352.438 casos confirmados.
“Apesar de todo esse caos que a gente está passando, eu peço muito a Deus proteção para mim quando saio para cuidar das pessoas”, disse Mônica, que continua atuando como enfermeira na linha de frente de combate à Covid.
Em 17 de janeiro, ela ficou conhecida ao tomar a primeira vacina Coronavac no país. Depois, em 12 de fevereiro recebeu a segunda dose.

Mas, aos 55 anos de idade, ela quer ser reconhecida mesmo por trabalhar em dois hospitais da capital: o Pronto Atendimento (PA) de São Mateus, na Zona Leste, e o Emílio Ribas, no centro.
Segundo Mônica, essas unidades estão lotadas de pacientes com suspeita de Covid e casos confirmados da doença.
“Tudo lotado”, falou na sexta-feira (19) ao G1 a enfermeira sobre a situação do PA São Mateus, antes de sair de férias de lá, no início de março. “Muita gente procurando, muito paciente grave, e esse problema, que a gente está enfrentando, que é a questão das vagas nos hospitais”.
No Pronto Atendimento, Mônica, outros enfermeiros e a equipe médica atendem casos suspeitos de coronavírus. Como lá não é uma unidade de internação, os pacientes que precisam ser internados aguardam em quatro macas a abertura de vagas nos hospitais para tratamento em leitos ou em UTIs.
“Em março, começou a aumentar o número de pacientes nessa situação de aguardar vagas. Como outros hospitais que estão recebendo pacientes também estão lotados, acabam impactando”, falou Mônica.
Segundo ela, a lotação nos grandes hospitais impede a transferência de pacientes que precisem de internação para esses locais. “Isso não acontece somente com o PA São Mateus. Isso acontece com todos os outros hospitais, com todas as outras unidades que não têm estrutura para o paciente ficar internado.”
Um dos hospitais que podem receber os pacientes é o Emílio Ribas, onde, desde maio do ano passado, Mônica trabalha em UTIs com contrato emergencial por conta da pandemia.
“Lotado, lotado, lotado. Você não tem noção. Você não tem noção. Está lotado”, disse Mônica sobre os dez leitos de UTI exclusivos para Covid no Emílio Ribas. “Eu nunca vi o que a gente está passando hoje, nunca. Trabalhei 23 anos dentro de uma UTI, eu nunca peguei uma situação dessa”.
Segundo a enfermeira, nesse mais de um ano em que trabalha na linha de frente no combate à Covid, o que mudou foi o perfil dos internados com a doença.
“Ano passado, o idoso era o foco. Você recebia muito idoso, de 72, 74, 80, 81 [anos], nessa faixa etária. E hoje já não, você pega 45, 36, 26”, disse Mônica. “Pacientes com idade de 26 anos sem comorbidade. Até hoje ninguém conseguiu explicar isso. Ela é cruel, ela é cruel. É uma doença que não escolhe quem ataca.”
Mônica falou da tristeza no que chamou de “distanciamento familiar” em razão da doença. “O que mais me marcou nesse um ano foi o ‘distanciamento familiar’. É muito triste quando você põe o paciente na ambulância e fala para um familiar: você não vai junto”, disse a enfermeira.
Emoções diversas já foram sentidas por Mônica durante a pandemia. Seja a de felicidade por descobrir que um paciente se recuperou. Seja a de tristeza ao saber que um deles morreu. Ela já perdeu a conta do número de pacientes que viu morrer em razão do coronavírus.
“Um número grande, eu não consigo te falar em número”, disse ela, que conta o número de pessoas conhecidas que perdeu para a doença. “De amigos, 11. Sete eram da área da enfermagem, auxiliar, técnico... nesta semana, eu perdi três vizinhos próximos. E um da igreja.”
Mônica conta que sai de casa para trabalhar e ir ao mercado. Mas sempre protegida com máscara, e usando álcool em gel. Além de evitar aglomerações. De acordo com as autoridades sanitárias, essas medidas reduzem o risco de contrair o vírus.
“As pessoas precisam ter é consciência. Sair de casa se houver necessidade mesmo”, falou a enfermeira, que lamenta a realização de festas com aglomerações de pessoas. “Essas festas clandestinas que acontecem... Fica também difícil controlar tudo isso. Acho que depois dessa pandemia muita gente vai rever os seus valores.”
Enquanto isso, Mônica só tem uma certeza. “O meu papel agora é esse: conscientização das pessoas. A gente precisa dar um breque enquanto todas as pessoas não forem vacinadas. Mas até você colocar isso na cabeça das pessoas é muito difícil. Mas a gente não pode desistir. ”
Técnico de enfermagem atravessa rio para vacinar idosa contra Covid-19: ‘dose de esperança’
Profissional de saúde coleciona histórias que fazem com que a profissão seja a cada dia mais amada. Por isso, não mede esforços para desempenhar as atividades e superar os obstáculos.
Por Iara Alves, G1 PB.
“Cada dose aplicada, é uma família a menos preocupada”. Esse é o lema que o técnico de enfermagem João Bezerra da Silva, de 34 anos, repete ao dar continuidade à campanha de vacinação contra Covid-19 em Monteiro, município do Cariri da Paraíba. Repetindo essa máxima, ele se sentiu motivado para viver uma grande experiência profissional e humana: atravessar um rio para aplicar o imunizante em uma idosa de 78 anos de idade.
“A gente faz o possível para levar uma dose de esperança pra essa população que mais é necessitada, principalmente da zona rural”, garantiu.
A travessia foi realizada na terça-feira (23). Parecia um dia de comum de trabalho, já que a rotina, por lá, é um tanto incomum. O deslocamento para localidades remotas faz parte do cotidiano do técnico de enfermagem, assim como de toda a equipe de vacinação.
Assim que chegou em Monteiro, João foi avisado que teria nove pacientes. No entanto, só aplicaria a vacina em oito, porque, com uma estrada bloqueada, o caminho mais viável seria o rio.
Intrigado, ele questionou sobre a altura da água e disse que se fosse de até um metro, faria o percurso. Com a água na altura do joelho, ele pediu para que Caio, que é agente de saúde, chamasse a idosa até a margem do manancial.
Quando ela chegou ao ponto de encontro, ele tirou os sapatos e ergueu as barras da calça. Atento, teve que pensar na própria segurança e também na das vacinas. Segurou firme nas caixas térmicas que armazenavam o imunizante e, com cuidado para não escorregar, foi até a idosa.
“Pra mim, foi recompensador. Tinha duas acompanhantes com ela. Elas [as três] ficaram pulando de alegria. Não acreditavam que a gente [ele e o agente de saúde] ia atravessar. E eu disse ‘a senhora não vai esperar o rio baixar’. A alegria dela, o sorriso não tem preço”, lembrou.
Segundo João, a idosa teria que esperar de um a dois meses para que o rio baixasse e ela fosse vacinada.
Nesse momento, reflexivo, ele lembrou do segundo lema que usa para se sentir estimulado no trabalho.
“Nenhum obstáculo vai ser o suficiente pra nos impedir. Sempre com a proteção de Deus, sempre com muito cuidado”, prosseguiu.
O rio que João atravessou se chama Paraíba, assim como o estado. O manancial leva águas da chuva e também da transposição do Rio São Francisco para o açude de Boqueirão, que abastece 19 cidades.
Vencer obstáculos se tornou rotina para João. Ele trabalha em Monteiro, mas mora em Sertânia, cidade do estado vizinho, Pernambuco. Somando ida e volta, são quase 60 quilômetros percorridos em uma motocicleta.
“Chego em casa e vou dormir já pensando em ir trabalhar no dia seguinte para levar amor e carinho a quem necessita”, destacou.
Para João, missão dada é missão cumprida. Em outra situação, ainda na campanha de vacinação contra a Covid, o carro em que estava não podia continuar por uma via cheia de pedras. Ele caminhou por mais de um quilômetro, com fome e debaixo do sol forte das 13h, para aplicar a segunda dose da vacina em um idoso de 95 anos.
“É gratificante. Energia pra trabalhar o resto da semana todinha”, recordou com alegria.
O técnico de enfermagem foi vacinado em janeiro deste ano. Em casa, ele reforça os cuidados de prevenção ao novo coronavírus, principalmente com a filha que tem nove anos e alguns problemas respiratórios. A esposa, que escolheu a mesma profissão, também já foi imunizada.
Pacientes com sintomas leves da Covid podem transmitir o vírus por mais de 30 dias, apontam cientist
O alerta é dos pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical da USP. Em alguns casos muito específicos, como em pacientes imunossuprimidos, a transmissão pode ser superior a 6 meses.
Por G1.
Estudos conduzidos no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) têm mostrado que, em alguns pacientes com sintomas leves, o coronavírus pode permanecer ativo no organismo por mais de 30 dias, período superior ao de isolamento recomendado até então, que é de 14 dias.
Este mês, os pesquisadores publicaram um artigo na plataforma científica medRxiv relatando casos em que o coronavírus permaneceu ativo no organismo de duas pacientes por mais de 30 dias. Além de terem os sintomas por todo este período, elas também permaneceram transmitindo o vírus.
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No primeiro caso, uma paciente foi atendida pela primeira vez em abril de 2020 e relatou que vinha há 20 dias com sintomas como tosse seca, dor de cabeça, fraqueza, dor no corpo e nas articulações. Um exame de RT-PCR feito 22 dias após o início do quadro confirmou a presença do vírus no organismo e, nos dias seguintes, a paciente apresentou náusea, vômito, perda de olfato e paladar. Um segundo teste molecular feito 37 dias após o início dos sintomas também teve resultado positivo. Em meados de maio, a maioria das queixas havia desaparecido, exceto dor de cabeça e fraqueza.
O segundo caso observado ocorreu em maio, quando uma paciente, diagnosticada com o vírus, permaneceu sintomática durante 35 dias. Segundo o estudo, ela apresentou febre, dor de cabeça, tosse, fraqueza, coriza, náusea, dor no corpo e nas articulações, e fez o primeiro teste de RT-PCR cinco dias após o início dos sintomas. Como o problema persistiu, ela fez um segundo teste no 24º dia e, novamente, a presença do coronavírus foi confirmada.
"O material [amostras de secreção nasofaríngea das pacientes] foi inoculado em uma cultura de células epiteliais e, após diversos testes, confirmamos que o vírus ali presente ainda estava viável, ou seja, era capaz de se replicar e de infectar outras pessoas”, explicou a professora do IMT-USP Maria Cassia Mendes-Correa à Agência FAPESP.
A conclusão do artigo, que ainda precisa ser revisado pelos pares, é que os dez dias de isolamento recomendados atualmente pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos para casos leves da Covid-19 podem não ser suficientes para evitar novas contaminações.
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Além dos dois casos relatados na publicação, o Instituto da USP vem observando outros casos em que o paciente permaneceu com o vírus ativo, inclusive em fase de transmissão, por até 50 dias.
“As análises indicam que o RNA viral permanece detectável por mais tempo na saliva e na secreção nasofaríngea. Em 18% dos voluntários, o teste de RT-PCR nesse tipo de amostra permaneceu positivo por até 50 dias. Entre estes, 6% mantiveram-se transmissores [com o vírus ainda se multiplicando] durante 14 dias”, conta Mendes-Correa.

Imunossuprimidos podem transmitir por meses
A coordenadora dos estudos também ressalta casos ainda mais preocupantes: o de pacientes imunossuprimidos infectados com coronavírus. Até o momento, dez voluntários foram incluídos no projeto do IMT-USP e um deles permanece com a infecção ativa no organismo por mais de seis meses.
“Trata-se de um paciente submetido a um transplante de medula óssea antes de ocorrer a infecção. As análises indicam que a carga viral em seu organismo é elevada e que o vírus é altamente infectante. Por esse motivo ele continua em isolamento, mesmo passado um longo período após o início dos sintomas”, conta Mendes-Correa.
A pesquisadora ressalta a necessidade de monitorar com atenção casos como esse, que oferecem condições ideais para o surgimento de variantes virais potencialmente mais agressivas.
Técnica da 'mãozinha', criada por enfermeira para dar conforto a pacientes com Covid, viraliza: ‘Foi
Sem conseguir medir a saturação de um paciente, Lidiane Melo colocou duas luvas com água quente na mão do interno. A ideia melhorou a circulação sanguínea e trouxe calma a quem se sente sozinho em um leito de UTI.
Por Eliane Santos, G1 Rio.
Quem vê a foto em que a mão de um paciente aparece acolhida por duas luvas cirúrgicas em um leito de hospital não imagina que a ideia surgiu em um momento de desespero da enfermeira Lidiane Melo, de 36 anos.
Em um plantão tenso no ano passado, cheio de pacientes dando entrada na emergência de um hospital na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, ela não conseguia medir a saturação de um paciente.
“A mão dele estava muito fria. Enrolei em algodão ortopédico e atadura, que é uma prática prevista na enfermagem, mas não funcionou. A circulação não melhorava. Pensei em molhar a mão dele com água morna, mas por causa do risco de contaminação, a ideia não era boa. Pensei mais um pouco e coloquei a água morna dentro das luvas cirúrgicas e envolvi na mão dele” lembra.
Deu certo, e em três minutos, a chamada perfusão do paciente, que é a entrega do sangue nos tecidos do corpo, melhorou. Ela mediu a saturação do oxigênio e encaminhou o tratamento.
A história tem um ano, mas foi só no dia 14 deste mês que, de folga em casa, ela achou a foto perdida no celular e resolveu postar.
“Fiz essa luva com água quente para melhorar a perfusão da minha paciente e ver melhor a saturação, e espero que ela sinta que tem alguém com ela segurando sua mão”, escreveu ela na legenda da imagem que rapidamente viralizou.
Entre os elogios e agradecimentos pela dedicação, Lidiane viu a imagem do seu gesto ir parar em outros países e ser comentada por famosos e personalidades.
‘Pensa que você está segurando na mão de Deus’
Mas não é só a melhora da circulação sanguínea nas extremidades do corpo que a técnica aplicada por Lidiane resolve. Ela traz conforto psicológico e ajuda a acalmar os pacientes.
Em um outro plantão, no CER do Centro, ela se deparou com uma senhora que ficou muito agitada quando soube que precisaria ser entubada.
“Ela não deixava a gente sedá-la, só dizia que a gente não poderia deixá-la morrer, que tinha duas filhas e duas netas, que cuidava da família. Depois de um conversa, ela pediu para eu segurar a mão dela. Disse que não podia, que tinha outros pacientes para atender, mas que ia fazer uma coisa. Fiz a mãozinha, ela se acalmou, disse que parecia que eu estava segurando a mão dela, e eu disse que não era a minha, que era para ela pensar que era a mão de Deus, que ia ajudá-la a sair dali”, lembra emocionada.
A paciente se curou, teve alta e Lidiane já aplicou a “técnica da mãozinha” ou “mão de Deus” algumas outras vezes.
“Sou muito apaixonada pelo que faço. É cansativo, desesperador às vezes perder 20 pacientes em um plantão de 12 horas, mas nãos sei fazer outra coisa. O dia que não for para me sensibilizar ou chorar com a dor do outro, paro de trabalhar na hora”, disse a enfermeira.