
'Exército está se associando a genocídio' na pandemia do novo coronavírus, diz Gilmar Mendes
Oministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez duras críticas à ocupação de militares em postos de comando no Ministério da Saúde em meio à pandemia do novo coronavírus, em funções antes exercidas por quadros técnicos.
Segundo ele, o vazio de comando na pasta não é aceitável. O general Eduardo Pazuello, que não tem nenhuma experiência prévia na área de saúde, exerce o posto de ministro interino há 57 dias, sem que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dê sinais que nomeará um novo titular. Gilmar disse que a situação liga o Exército a um "genocídio" causado pela Covid-19.
"Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a estados e municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa. Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso", criticou.
O ministro participou na tarde deste sábado (11) de um debate online organizado pela revista IstoÉ e pelo Instituto Brasiliense de Direito Público. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o médico Drauzio Varella também fizeram parte da bancada de debatedores.
Logo depois das declarações de Gilmar, Mandetta também criticou o que chamou de "ocupação militar" na pasta que comandou até abril. Segundo ele, a situação deveria ser tratada com a mesma indignação que ocorreu com as denúncias de que Bolsonaro tentava interferir na Polícia Federal.
"Parece que na minha sucessão trocaram metade, e depois trocaram absolutamente todo o corpo técnico. Aí que está o maior problema. Vi toda aquela discussão do ministro Moro e todos abrindo inquérito para saber se havia ingerência na PF. Acho muito importante que nós averiguemos a interferência na PF. Mas e o desmanche do Ministério da Saúde na maior pandemia do século?", desabafou. "E não é nem uma interferência no Ministério da Saúde, é uma aniquilação. Uma ocupação militar do Ministério da Saúde".
No início do debate, Mandetta já havia feito críticas à gestão de Pazuello à frente da pasta, marcada pela tentativa de esconder os dados sobre os contaminados e os mortos pelo novo coronavírus. Segundo ele, o "Ministério da Saúde perdeu a credibilidade" para dialogar com a sociedade.
Mandetta ainda alfinetou Pazuello. Ao assumir o cargo, o general foi elogiado por membros do governo por sua experiência em cargos ligados à logística do Exército. "Ao invés de especialistas em logística, parece que são especialistas em balística. Porque eu só vejo acúmulo de óbitos nessa política que está sendo feita", ironizou ao ser questionado sobre o protocolo para o uso da cloroquina implantado pela atual gestão do Ministério da Saúde.
Homem é preso suspeito de estuprar mulher dentro de veículo no sudoeste da Bahia
Prisão aconteceu nesta sexta-feira (10), em Vitória da Conquista. Vítima disse à polícia que foi abandonada no Anel Viário da cidade.
Por G1 BA.
Um homem foi preso em flagrante nesta sexta-feira (10) suspeito de estuprar uma mulher em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. De acordo com a Polícia Civil, a vítima disse que foi drogada e, depois de ser abusada dentro de um veículo, foi abandonada no Anel Viário da cidade.
O crime aconteceu na madrugada de quinta-feira (10). A Polícia Civil informou que o suspeito foi encontrado em um apartamento do Mirante da Conquista, com duas pequenas porções de maconha. Não há informações sobre como o fato ocorreu e se o homem conhecia a vítima.
O carro do suspeito foi apreendido e ele foi preso pelo crime de estupro de vulnerável. Não há detalhes sobre o estado de saúde da vítima. O caso é investigado pela 10° Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) em apoio a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).
Diretor da OMS chora em apelo contra covid-19: 'Por que é tão difícil para humanos se unirem?'
Discurso de Tedros Adhanom Ghebreyesus é feito no momento em que os EUA põem em ação seu plano para sair da Organização Mundial da Saúde.
Por BBC.
Com 12 milhões de pessoas contaminadas por Covid-19 e 550 mil mortos no planeta até o dia 9 de julho, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um apelo emocionado ao mundo.
Tedros Adhanom Ghebreyesus advertiu na quinta-feira (9) que a pandemia do novo coronavírus segue fora de controle e, em prantos, pediu unidade para a humanidade, dias depois de os Estados Unidos entrarem com pedido formal de saída da OMS.
"A grande ameaça que enfrentamos agora não é o vírus em si, mas a ameaça é a falta de liderança e solidariedade em níveis globais e nacionais", disse o diretor da OMS em Genebra, na Suíça.

Em um discurso emocionado, cheio de pausas, ele disse: "Esta é uma tragédia que... na verdade... está nos fazendo sentir falta de nossos amigos. Perdendo vidas... E não podemos enfrentar essa pandemia com um mundo dividido".
"Por que é tão difícil para os humanos se unirem, para lutar contra o inimigo?"
Nos últimos dois dias, foram 170 mil casos novos confirmados de Covid-19, o que representa uma queda em relação aos 200 mil do fim de semana anterior. Ainda assim, os números são considerados altos demais.
As Américas são o continente mais afetado, com 6,12 milhões de contágios confirmados e 272 mil mortes oficiais. Isso é metade de tudo que foi registrado no mundo. O Brasil segue sendo o país com o segundo maior número de casos e mortes no mundo, atrás apenas dos EUA.
Diante desse cenário, o direto da OMS disse que a pandemia "é uma prova de solidariedade e liderança global" e voltou a pedir a unidade de todos os países.
"Isso está matando pessoas de forma indiscriminada. Não podemos ser capazes de identificar um inimigo comum? Não podemos entender que as divisões ou separações entre nós são realmente vantajosas para o vírus? A única maneira é estarmos juntos."
Enquanto isso, os Estados Unidos seguem com seu processo de saída da OMS. O presidente americano, Donald Trump, finalmente pôs em prática o plano depois de passar meses criticando a entidade.
Na visão americana, a OMS administrou mal a crise do coronavírus e se mantém subordinada à China.
A OMS anunciou nesta quinta-feira a formação de um painel para avaliar a sua resposta à crise de saúde, para responder aos questionamentos dos Estados Unidos.
Brasil registrou 1.270 óbitos em 24 horas e tem 70 mil mortes por corona vírus e mais de 1,8 milhão
Brasil tem 70 mil mortes por coronavírus e mais de 1,8 milhão de infectados, mostra consórcio de veículos de imprensa.
O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da epidemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 20h desta sexta-feira (10).
O país registrou 1.270 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 70.524 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil na última semana foi de 1.039 por dia, uma variação de 3% em relação aos óbitos registrados em 14 dias. Em casos confirmados foram 45.235 registrados no último dia, com o total de 1.804.338 de brasileiros infectados pelo novo coronavírus.
Ao comparar a curva do Brasil com outros países também duramente afetados pela doença, especialistas apontam que a pandemia no país não chegou a um pico e uma queda na sequência. Em vez desse comportamento, visto em países da Europa como Reino Unido, Itália e França, os dados mostram que as mortes seguem estáveis em um platô, com patamar alto na média de mortes.
Veja a seguir:
Brasil, em 10 de julho
- Total de mortes: 70.524
- Mortes em 24 horas: 1.270
- Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.039 por dia (variação em 14 dias: 3%)
- Total de casos confirmados: 1.804.338
- Casos confirmados em 24 horas: 45.235
(Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou dois boletins parciais, às 8h, com 69.316 mortes e 1.762.263 casos confirmados, e às 13h, com 69.406 e 1.768.970.)
Estados e DF
Veja como o número de novas mortes tem variado nas últimas duas semanas:
- Subindo: PR, RS, SC, MG, DF, GO, MS, MT, TO, PI
- Em estabilidade: ES, SP, AM, AL, BA, CE, MA, PB, RN, SE, RR, RO
- Em queda: RJ, AC, AP, PA, PE
Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da epidemia).
Sul
- PR: +84%
- RS: +85%
- SC: +24%
Sudeste
- ES: 0%
- MG: 60%
- RJ: -19%
- SP: -1%
Centro-Oeste
- DF: +61%
- GO: +74%
- MS: +56%
- MT: +31%
Norte
- AC: -44%
- AM: -1%
- AP: -40%
- PA: -22%
- RO: -14%
- RR: -3%
- TO: +42%
Nordeste
- AL: +5%
- BA: +10%
- CE: 0%
- MA: -8%
- PB: +9%
- PE: -26%
- PI: +18%
- RN: -10%
- SE: +6%
O que se sabe sobre tratamento brasileiro que teria eliminado HIV de paciente
Resultados de pesquisa conduzida na Unifesp foram apresentados em conferência internacional sobre Aids.
O caso de um homem brasileiro de 35 anos que está há mais de 57 semanas sem sinais do vírus do HIV no corpo — com o qual fora diagnosticado em 2012 — após receber tratamento em um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) é um dos destaques da 23ª Conferência Internacional da Aids, realizada ao longo desta semana online.
Nesta terça-feira (7), o líder da equipe, o médico brasileiro Ricardo Sobhie Diaz, apresentou brevemente o caso em uma coletiva de imprensa virtual, disponível no YouTube.
- Pesquisa brasileira aponta que coquetel de medicamentos eliminou o vírus da Aids em paciente
A BBC News Brasil tentou obter entrevista e materiais sobre a pesquisa com a Unifesp e a organização da conferência internacional, mas não teve retorno até a noite de terça-feira (7).
Na coletiva de imprensa, a mediadora apresentou a pesquisa brasileira como possivelmente o "primeiro caso de remissão a longo prazo do HIV sem um transplante de medula" — procedimento usado em dois casos considerados curados no mundo, na Alemanha e no Reino Unido.
No caso do estudo da Unifesp, o tratamento foi à base de medicamentos.
"O paciente esteve sob tratamento regular com antirretrovirais e, além do uso deste coquetel, foi colocado aleatoriamente em um grupo (no experimento) que recebeu também, por 48 semanas, dolutegravir, maraviroc e nicotinamida", explicou Diaz, doutor em infectologia e diretor do Laboratório de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp).
O tratamento adicional com dolutegravir, maraviroc e nicotinamida foi recebido pelo homem em 2016; depois do período de 48 semanas, ele voltou a usar somente o coquetel regularmente utilizado para controlar a Aids.
Em março de 2019, ele parou de receber qualquer tratamento contra o HIV. Testes laboratoriais rotineiros em seu organismo desde então não detectaram o material genético do vírus.
Diaz também comemorou que houve um "declínio muito forte" nos anticorpos detectados — uma vez que estes são uma resposta a microrganismos potencialmente nocivos, seu sumiço é outro indicativo de eliminação do vírus.
Na coletiva, o brasileiro foi questionado por colegas se os resultados que mostraram quedas do DNA do vírus e anticorpos foram confirmados também em laboratórios independentes, ao que respondeu que ainda não. A necessidade de comprovar estes resultados em novos e independentes testes foi uma lacuna importante apontada por cientistas que comentaram as limitações da pesquisa brasileira.
Ao jornal americano New York Times, Monica Gandhi, especialista em HIV na Universidade da Califórnia em San Francisco e uma das organizadores da conferência, afirmou que os resultados são "animadores", mas "ainda muito preliminares".
"Trata-se de apenas um paciente, então acho que não podemos dizer que o procedimento garante a remissão", declarou Gandhi.
Também não ficou claro o que aconteceu com outros pacientes que receberam a mesma combinação de medicamentos que o homem de 35 anos em 2016.
Há alguns anos, Diaz e sua equipe vêm trabalhando com duas frentes para tratamento — e eventual cura — da Aids. Uma é com o tratamento medicamentoso que bloqueia a replicação do vírus e elimina células em que ele fica latente; a outra, uma vacina que estimula o sistema imunológico no combate ao patógeno.
"A ciência não é cheia de certezas"
Da última vez que entrevistei Artur Avila, em 2014, ele estava em Seul. Acabara de receber a Medalha Fields, honraria frequentemente comparada ao Prêmio Nobel, concedida aos melhores matemáticos do mundo com menos de 40 anos. Único brasileiro agraciado com a láurea, Artur é não apenas um dos cientistas de maior sucesso do país. Também é a prova viva de como é possível formar pesquisadores de qualidade internacional aqui no Brasil. Doutorado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) em 2001, ele divide seu tempo desde então entre pesquisas em Paris, Rio de Janeiro, Zurique e aonde mais a matemática o levar. Como parte da iniciativa #CientistaTrabalhando, promovida pelo Instituto Serrapilheira para celebrar o Dia Nacional da Ciência, Artur conversou comigo ontem, enquanto caminhava por ruas e bulevares parienses. Descreveu as dificuldades e oportunidades para cientistas no Brasil, criticou as ambições de modelos matemáticos adotados na pandemia, analisou as origens do pensamento anticientífico e, distraído, percebeu a certa altura que estava perdido. Queria ir para casa, perto da Praça da Bastilha, mas a caminhada o levara até a Praça da Nação. “Sou totalmente sem noção de direção”, disse. “Fui pra onde o nariz apontou na conversa.” Mas rapidamente recobrou o rumo. Da caminhada e da prosa. Abaixo, os trechos principais:
O que mudou na sua vida depois da Medalha Fields? Você é reconhecido na rua? Pedem autógrafo?
Na carreira acadêmica, isso põe você numa posição mais tranquila. Tenho a vantagem de poder escolher onde vou trabalhar e facilidades pessoais. Mas, no final das contas, matemática é matemática. Entre as ciências, é a que dá menos importância à hierarquia. Não existem argumentos de autoridade. A liderança depende da capacidade de tomar decisões certas a cada hora. Um pesquisador hiper-reconhecido pode dialogar com um estudante principiante e, se o estudante estiver certo e mostrar isso, terá de aceitar. Isso é muito bom, é uma maneira de não viciar a prática. Eu já tinha reconhecimento entre matemáticos antes da medalha. O que mudou foi o reconhecimento fora da matemática, que se traduz no fato, por exemplo, de dar esta entrevista, porque podem considerar que sou alguém a ouvir como cientista. No Brasil, não há tantos cientistas com reconhecimento público. Quando sou levado a encontros com jovens, então, tenho um papel que pode ser motivante, útil para um iniciante ter a ideia de que é possível haver um pesquisador de sucesso internacional vindo do Brasil. No nível pessoal, quando estou no Brasil, não tem muita diferença, não costumo ser reconhecido na rua.
Você é um dos cientistas brasileiros mais bem-sucedidos. Também mora há muito tempo fora do país. Quais as dificuldades de fazer ciência no Brasil? Há vantagens?
Há dificuldades específicas do Brasil e existe um panorama mais geral, internacional. Não devemos ter essa ideia de que a vida do cientista fora do país é essa maravilha toda. Depende do nível da carreira. Fora, a situação do jovem pesquisador que tenha terminado um doutorado costuma ser bastante precária. Não há empregos permanentes por muito tempo. Muitos ficam em situação de dificuldade, de pós-doutorado em pós-doutorado, com poucos anos de diferença, frequentemente têm que mudar de país. Fica difícil criar laços familiares. É psicologicamente bem pesado, mas é a realidade. Um pesquisador que atingiu a estabilidade já terá uma situação diferente. Isso é válido na Europa, nos Estados Unidos e em outros lugares. No Brasil, existem dificuldades específicas, que se traduzem em problemas e oportunidades também. A ciência no Brasil é jovem em comparação com os grandes centros internacionais. Uma dificuldade que vem daí, associada a outros problemas do país, é que não existe política estável de pesquisa. Mas existe alguma coisa que pode ser positiva em relação à Europa: essa mesma juventude significa que há um potencial de crescimento bem maior. Na Europa, a situação está saturada, a comunidade acadêmica está consolidada, não há espaço para crescer. Só há abertura para novos pesquisadores na medida em que outros se aposentam. No Brasil, há potencial de crescimento. Não é realizado de maneira eficaz, mas é algo que dá esperança.
O que o Impa, onde você se formou, tem de diferente em comparação com o resto da ciência nacional?
É uma instituição não muito comum no cenário brasileiro. Por uma questão da formação e questões históricas, foi um instituto criado com uma concepção específica, por pesquisadores independentes, que tentaram fazer um grupo pequeno, focado na excelência. Cresceu com a ideia de sempre chegar num alto nível internacional de pesquisa. Isso foi possível, em particular, porque você não precisava de recursos para competir imediatamente. Precisava criar a oportunidade de atrair pessoas. Mas isso é menos complicado que competir com um laboratório no exterior. Não é uma instituição ligada a uma universidade, que sofra as mesmas pressões. Está focada na pesquisa e no ensino de pós-graduação, embora depois tenha se tornado algo que influencia a matemática num nível maior no Brasil. Várias coisas permitem que o Impa tenha se estabelecido nessa situação ao longo do tempo. Hoje funciona de maneira eficiente, tem reconhecimento internacional, as questões práticas são bem resolvidas. Mesmo que seja afetado pelo que acontece no nível nacional, continua insulado das principais dificuldades que afetam outros departamentos e universidades.
Que tipo de dificuldade?
A maioria dos governos que se estabelecem não tem muita noção de por que se investe em ciência e de como a ciência funciona. Entra governo, sai governo, você tem a impressão de que o ministério correspondente é um adendo para distribuir cargos a aliados políticos, não algo central ao país. Não há política de desenvolvimento científico. Na instabilidade, pode haver oportunidades num certo momento, depois muda a situação, aí elas são cortadas brutalmente. Isso afeta todo mundo que tinha investido sua educação e seus sonhos, que acaba tendo as esperanças traídas por sucessivas decisões governamentais. Minha impressão é que é algo que acham que têm de fazer, mas não sabem por que nem como se faz.
Há ignorância a respeito da importância da ciência mesmo na elite política?
De como a ciência funciona também. Não sabem nem para que nem como se faz. As decisões tomadas são incompatíveis com ciência de qualidade. Você cria grupos, inicia projetos, depois corta. Toda essa ciência que para no meio do caminho não obtém resultados. Costumo fazer uma analogia: o governo é sensível à ideia de que é importante buscar estabilidade nos mercados, para investidores sentirem confiança e apostarem no país. Essa compreensão é fácil na economia. Pois o mesmo raciocínio se aplica à ciência. Você não desenvolverá ciência numa situação de instabilidade. Isso vale do ponto de vista pessoal. Quem tem certas características e habilidades não investirá a juventude numa direção, quando de repente tudo pode mudar completamente. Você faz um doutorado, acaba, daí as coisas não existem mais. Não é razoável. Não dá para atrair capital humano para fazer um investimento pessoal nessa situação. Dependendo de como for, as pessoas não vão topar. O mesmo talento de que precisam para ser cientistas capazes serve para arrumar empregos mais estáveis. Por mais que você ame fazer ciência, que isso faça você sonhar, pode ser até loucura seguir a carreira num panorama assim.
Do ponto de vista do trabalho, a matemática é diferente?
Cada atividade científica tem suas características. A matemática é uma coisa relativamente barata de fazer, se comparada a ciências em que você tenha experimentos. Se não tiver condições e recursos para eles, simplesmente não pode avançar. Em matemática, só é preciso ter os pesquisadores. Na maioria dos casos, trabalham com a própria cabeça, precisam apenas de um quadro negro ou coisa do tipo. É uma atividade mais barata.
Nunca a ciência foi tão atacada. Na pandemia, o negacionismo tem consequências dramáticas. Existe algo que possamos fazer? Como sair desse impasse?
Nem é preciso entrar em muitos exemplos – penso logo nas vacinas – para ver que a postura anticientífica é atraente em certos meios. Por que isso acontece? Primeiro, está associado à polarização política. As pessoas escolhem seu campo a priori. Estão tão atreladas à própria posição, que a ciência que desafiá-la precisa ser descartada para continuarem a viver bem. Quando se recusam a criticar o próprio campo ideológico, isso conduz, de certa maneira, a rejeitar a ciência que apresentar uma crítica a ele. É parte da maneira como as pessoas vivenciam a política. Todo mundo na verdade está exposto a isso. É preciso reconhecer que, em qualquer lado da polarização que você esteja, filtrará as informações e rejeitará conclusões científicas contrárias. Não é questão de dizer que todo mundo é igual. Mas, quando a gente faz uma crítica – e deve sempre criticar – a posições como o terraplanismo, é sempre bom ver se não se dispõe a fazer o mesmo quando a crítica vier na sua própria direção. O discurso político é muito raso para comportar a complexidade de uma discussão científica. Inclusive porque a ciência não é cheia de certezas. Lidar com a nuance e com a maneira como ela se desenvolve, com margens de erro, é complicado. Quando vira um Flá-Flu, quando você fica torcendo pra sair o resultado que quer, não olha para a ciência como uma fonte de saber, mas só para tentar justificar ações que já tinha decidido anteriormente.
Isso vale para a pandemia, não?
É realmente um assunto complexo. As pesquisas que a gente tem que fazer neste momento são muito difíceis. As evidências são parciais, porque você simplesmente não tem condições de esperar o tempo natural da ciência, que é lento, para tomar decisões com o nível de certeza que todos gostaríamos. Gostaria de poder ter mais e mais dados para tomar a decisão correta. Só que não agir pode levar a consequências piores. Pela própria natureza, são questões não só científicas, mas decisões da sociedade. Todos os campos, inclusive ciências humanas, têm de interagir para entendermos como atuar na situação em que estamos. E não só ciência. A ciência só pode fazer uma parte do papel. Por outro lado, para além das asneiras e teses conspiratórias, a população passa a encarar a ciência como um recurso numa situação dessas. Os cientistas é que vão ajudar. Não sendo milagreiros, eles são nossa melhor esperança. Isso reforça a importância da ciência.
Também é um desafio para os próprios cientistas, que não estão acostumados a fazer a ciência em tempo real…
Não é aquilo a que eu, pelo menos, estou acostumado (risos). Faço matemática pura, num tempo em que não existem deadlines. Meus problemas não respondem às pressões do mundo real. Mas, como muita gente que não é epidemiologista nem especialista, me interessei pelos temas e tentei entender quais eram as dificuldades. Há primeiro problemas metodológicos: como obter dados de qualidade enquanto há pessoas morrendo? Não é a situação ideal para conseguir dados muito limpos, e você tem de lidar com o tem. Isso também pode levar a questões teóricas: como lidar com esses dados ruins para chegar a alguma conclusão que preste?
Como a área que você pesquisa, sistemas dinâmicos, se relaciona com o que a gente está vivendo na pandemia?
Gosto de brincar que, quando olho para as equações gravitacionais, formulo questões que dizem respeito a escalas de tempo muito maiores que a vida do Sistema Solar. São modelos em que o fato o Sol ter explodido não interfere no que vejo. Obviamente, olhando para a pandemia, interessado em estimar qual era a real situação, tentei fazer considerações sobre as possíveis dificuldades. Na minha capacidade de analisar, observei que, de maneira geral, há a tendência de a modelagem ser feita em excesso. O problema é às vezes ter confiança demais nos modelos. Há modelos extremamente complexos, complicados demais para a situação atual, porque as incertezas passam por cima das capacidades deles. Falo isso orientado por sistemas dinâmicos. Quando modelo com extrema precisão o que acontece, tenho perfeita noção de que essa análise tão fina só será válida se valer esse modelo. Se houver uma pequena variação, talvez precise de uma análise mais robusta. As pessoas ficam achando que, se puserem mais e mais complexidade no modelo, podem ter mais confiança. Isso não é necessariamente verdade. Você precisa aceitar a incerteza. Pensa no problema que a gente está tentando entender: a progressão da pandemia nos estágios iniciais. Seria fundamental ser capaz de dar uma previsão válida para daqui a algumas semanas, para orientar os recursos. Seria desejável. Por outro lado, a natureza do problema introduz um nível de incerteza tão grande que torna um pouco inúteis os números que sairiam daí. A natureza das interações humanas e a heterogeneidade das redes de relações podem ter muito mais relevância. O pessoal estava tentando achar números que representassem a transmissão, mas o mais importante podem ser pequenos detalhes da rede de interação, especialmente num momento de pequena prevalência do vírus. Os modelos se tornam bem mais robustos quando boa parte da população já está infectada, aí se torna mais razoável supor certas uniformidades na distribuição. A gente tem o desejo de poder dar a melhor informação possível, mas o que a ciência frequentemente ensina, quando olho para problemas da realidade, é que você deve se preocupar com o limite do que poderia conhecer. Deve tentar identificar o ponto além do qual você não terá mais certeza, por mais que se esforce, por mais que tente modelar. Cheguei a isso. É uma coisa compreendida em previsões de tempo. A incerteza faz com que, por mais que você coloque novas estações meteorológicas, chega um momento – e não é muito longe – em que não consegue dizer se faz sol ou chuva. A perda de informação é muito rápida, você não consegue lutar contra efeitos exponenciais. A situação da pandemia não é muito diferente. Mas esse conhecimento que a ciência traz, mesmo que seja um conhecimento negativo, é útil, porque você fica sabendo como pode reagir. A gente sabe que terá de tomar uma decisão diante de uma situação inerentemente incerta. Talvez não seja a informação que a gente gostaria, mas é alguma coisa.
Quem olha para a ciência esperando a verdade, como uma espécie de oráculo que separa o certo do errado, está no fundo iludido. Quanto do negacionismo não se origina nessa expectativa absolutista diante da verdade? Afinal, a ciência não tem resposta para tudo.
A gente tem muita incerteza, principalmente nessa situação em que faz ciência em tempo real. Não é o tempo natural da ciência. Pessoalmente, reservo a palavra "negacionismo" para situações bem estabelecidas. Há tanta incerteza no momento, que usá-la muito cedo acaba por associá-la a situações mais claras, em que o consenso científico é muito maior. Não é que eu tenha dúvidas da ciência, não tenho nenhuma. Mas é que isso encoraja o pessoal a reagir de maneira mais virulenta. A ciência, neste momento principalmente, aparentará oscilar. Uma hora os cientistas recomendarão uma coisa, outra hora podem recomendar o contrário. Não é bom usar prematuramente essa terminologia, numa situação em que a coisa pode mudar. O problema de quem adota uma posição inerentemente anticientífica é que, por acidente completo, de repente pode estar certo por acaso. Se as recomendações se tornarem o contrário do que eram, não quer dizer que a ciência estava errada. A ciência foi apenas ampliando o conhecimento. Usando essa terminologia, porém, as pessoas se sentirão encorajadas a fazer interpretações de que a ciência na verdade tem uma função política. É por isso que tento evitar. É um vocabulário que pode encorajar o lado anticientífico. A gente tem que aceitar a incerteza e dizer que existe uma gama de possíveis conclusões a partir do nosso conhecimento atual. E guardar o negacionismo para situações mais claras, como o Holocausto, bem diferente de questões que os cientistas ainda debatem. É preciso evitar o excesso no uso de linguagem, porque a gente pensa que está ajudando a clarificar uma coisa, mas pode ter o efeito inverso: levar as pessoas a duvidar mais ainda, porque as incertezas evidentes podem dar a impressão de que a ciência não é uma coisa séria.
O que seria mais importante para os leigos entenderem de como funciona a ciência ou a matemática?
A gente usa o termo ciência para várias coisas diferentes. Minha área particular, de que posso falar com conhecimento de causa, lida com conceitos totalmente abstratos, com pouca preocupação com as possíveis aplicações. O trabalho do matemático, nessa concepção quase artística, é útil no desenvolvimento de outros campos da matemática, mais aplicados. Descobertas em certos contextos particulares, dissociados de aplicações, podem depois ser essenciais em aplicações. Isso acontece a todo momento. Também funciona de maneira mais geral. Áreas científicas diversas podem se beneficiar mutuamente. A física se beneficia da matemática. A matemática se beneficia da física. A física cria problemas que chamarão atenção dos matemáticos e abrirão perspectivas que não teriam sido descobertas isoladamente. Existe essa coerência. Quando se pensa no desenvolvimento da ciência, é particularmente importante enxergá-la como um todo. É equivocado tentar traçar cedo demais em que direção a pesquisa deve ir. Pode ser tentador, se a gente tem recursos limitados, dirigir esses parcos recursos para tentar fazer coisas úteis de maneira mais direta. Mas isso não levará aos melhores resultados, mesmo dentro dessa perspectiva limitada. Simplesmente porque você não sabe. A pesquisa original, aquela que pode ser chamada realmente de pesquisa, só responderá àquilo você não sabia antes. Envolve um processo de descoberta em que não se sabe de onde as coisas virão. Podem vir de outra área que você nunca poderia intuir. Precisa haver então um desenvolvimento amplo para responder mesmo às questões práticas, mesmo àquelas que parecem bem claras. Falo em geral isso restrito à matemática. Você precisa pensar na matemática unificada, não dá pra pensar em pura e aplicada. É preciso haver o diálogo, porque é o diálogo que leva as coisas para frente. A mesma perspectiva funciona de maneira mais ampla nas interações da matemática com outras ciências e das demais ciências entre si. É algo que precisa ser compreendido quando se faz qualquer política de ciência. As pessoas acham que a ciência existe para responder a questões precisas, que é possível dar recursos para responder somente a essas questões. Mas aí você não responde nem a elas, nem coisa nenhuma, porque não faz ciência de verdade.
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Melbourne tem novos casos de Covid-19 após falha em quarentena que incluiu sexo entre seguranças.
Primeiro-ministro da Austrália determinou abertura de inquérito para investigar situação. Apenas australianos e residentes podem entrar no país, mas devem passar duas semanas de quarentena em hotéis; em apenas um deles foram registradas 31 contaminações.
Por G1.
Uma nova onda de casos de Covid-19 está atingindo o estado de Victoria, na Austrália, após falhas de segurança em hotéis onde pessoas que chegaram do exterior cumpriam quarentena. Entre as denúncias, há inclusive casos em que os seguranças contratados para impedir a circulação dos hóspedes teriam feito sexo com alguns deles.
Atualmente, apenas australianos ou pessoas com residência no país podem entrar na Austrália, e mesmo assim, são obrigados a cumprir 14 dias de quarentena, em isolamento em hotéis, que estão sendo controlados pelo governo.
Em pelo menos três deles foram relatados casos de contaminação devido às irregularidades na segurança. Apenas no Stamford Plaza, em Melbourne, foram 31 casos, além de um número não especificado nos hotéis Rydges e Swanton, segundo a imprensa australiana.
Com isso, foram relatados 73 casos novos na quarta-feira (1), elevando a 370 o número de casos ativos em Melbourne. As autoridades locais decidiram, inclusive, reativar medidas de isolamento em partes da cidade.
Na quinta-feira, a polícia montou postos de verificação em 36 subúrbios atingidos pelas ações.
"Mais de 300 mil australianos... estão entrando em uma situação difícil pela qual todos nós passamos", disse o ministro da Saúde, Greg Hunt, em uma coletiva de imprensa, referindo-se aos moradores das regiões afetadas.
"Sabemos que podemos sair disso, mas mesmo assim é uma imposição enorme sobre suas vidas", acrescentou.
O primeiro-ministro Daniel Andrews anunciou que um inquérito será aberto para apurar as falhas no programa de quarentena nos hotéis em Victoria, pelo qual já passaram cerca de 60 mil pessoas.
"É bastante claro que o que aconteceu aqui é completamente inaceitável e precisamos saber exatamente o que aconteceu", afirmou Andrews.
Desde o início da pandemia, a Austrália registra 8.255 casos de Covid-19 e 104 mortes pela doença, segundo a Universidade Johns Hopkins.
Coronavírus na Coreia do Norte: Kim Jong-un declara 'sucesso brilhante' no combate à pandemia e zero
Falando em uma reunião do Politburo, líder norte-coreano disse que o país 'impediu a invasão do vírus maligno e manteve uma situação estável'.
Por BBC.
Imprensa estatal diz que Kim fez alerta contra relaxamento apressado das restrições — Foto: Getty Images via BBC
O líder norte-coreano Kim Jong-un elogiou o "sucesso brilhante" de seu país ao enfrentar a pandemia de Covid-19, segundo a agência de notícias estatal "KCNA".
Falando em uma reunião do Politburo, Kim disse que o país "impediu a invasão do vírus maligno e manteve uma situação estável".
A Coreia do Norte fechou suas fronteiras e isolou sua população há seis meses, quando o novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo.
O governo norte-coreano alega que não possui casos da doença, embora analistas digam que isso é improvável.
Kim teria "analisado em detalhes" a estratégia nacional de combate ao novo coronavírus dos últimos seis meses em uma reunião do Politburo nesta quinta-feira (2). Ele disse que o sucesso no tratamento da doença foi "alcançado pela liderança perspicaz do Comitê Central do Partido".
Mas o líder norte-coreano enfatizou a importância de manter "o alerta máximo sem relaxamento na frente antiepidêmica", acrescentando que o vírus ainda estava presente nos países vizinhos.
"Ele alertou repetidamente que a flexibilização apressada das medidas antiepidêmicas resultará em uma crise inimaginável e irrecuperável", informou a reportagem da KCNA nesta sexta-feira.
Máscaras obrigatórias
No fim de janeiro, a Coreia do Norte agiu rapidamente contra o vírus — selando suas fronteiras e depois colocando em quarentena centenas de estrangeiros na capital, Pyongyang.
Também isolou dezenas de milhares de cidadãos e fechou escolas.
O país já reabriu as escolas, mas manteve a proibição a aglomerações e tornou obrigatório o uso de máscaras em locais públicos, informou a agência de notícias "Reuters" no último dia 1º de julho, citando um funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS também assinalou que apenas 922 pessoas foram testadas no país — todas tiveram resultados negativos.
A Coreia do Norte, que compartilha uma longa fronteira com a China, sustenta há muito tempo que não registrou nenhum caso do vírus.
No entanto, Oliver Hotham, editor-chefe do site "NK News", especializado em notícias da Coreia do Norte, disse à BBC no início deste ano que isso provavelmente não era verdade.
"É muito improvável que a Coreia do Norte não tenha registrado casos porque faz fronteira com a China e a Coreia do Sul. [Especialmente com a China], dada a quantidade de comércio transfronteiriço ... realmente não vejo como é possível que eles (norte-coreanos) possam ter evitado isso", disse.
"[Mas] eles realmente tomaram precauções cedo [então] acho que é possível que eles tenham evitado um surto completo."
Análise
por Laura Bicker, correspondente da BBC em Seul, na Coreia do Sul
O coronavírus se espalhou pela Coreia do Norte? Ninguém realmente sabe. O país está fechado desde 30 de janeiro. Muito poucas pessoas conseguiram entrar ou sair.
A Cruz Vermelha tinha voluntários na área de fronteira trabalhando em medidas de prevenção de vírus e houve vários relatos não confirmados de casos no país.
Mas a maioria dos relatos do cotidiano na capital nas últimas semanas parece indicar que a vida segue normal.
Qualquer que seja a situação real, Pyongyang quer passar a imagem de que aniquilou a Covid-19.
Internamente, trata-se de uma mensagem forte de que as medidas rígidas que Kim Jong-un tomou funcionaram.
O resto do mundo pode estar sob uma pandemia e Kim deseja que seu povo saiba que ele os salvou.
Mas isso tem um custo. Todo o comércio fronteiriço foi cortado. Isso significa que é impossível obter suprimentos essenciais para o país empobrecido.
Fontes diplomáticas me disseram que existem estoques de equipamento de proteção individual e suprimentos médicos, incluindo vacinas, acumulados na fronteira, sem poder entrar no país.
Houve inúmeros relatos de compras de mercadorias internacionais em lojas de departamento motivadas por pânico em Pyongyang.
As prateleiras estão sendo esvaziadas em meio à escassez de produtos.
Também vale a pena notar que apenas 12 desertores chegaram à Coreia do Sul entre abril e junho deste ano — o número mais baixo já registrado neste período do ano.
O povo norte-coreano pode não estar sofrendo de coronavírus, mas agora está mais isolado do mundo exterior.
Novo vírus da gripe com 'potencial pandêmico' é encontrado na China
Parece ser capaz de infectar pessoas, embora os porcos sejam os hospedeiros, dizem os especialistas.
Por BBC.
Cientistas descobriram evidências de infecção recente em pessoas que trabalhavam na indústria suína na China — Foto: Getty Images.BBC
Uma nova cepa do vírus da gripe com potencial de causar uma pandemia foi identificada na China, segundo um novo estudo.
Essa linhagem surgiu recentemente e tem os porcos como hospedeiros, mas pode infectar seres humanos, dizem os autores da pesquisa.
- 'COROA': Mutação pode aumentar a capacidade de infecção do coronavírus, aponta estudo
- PEIXE: por que as autoridades chinesas culpam o salmão pelo novo foco de Covid
Os cientistas estão preocupados com o fato de que ela poderia sofrer uma mutação ainda maior e se espalhar facilmente de pessoa para pessoa e desencadear assim um surto global.
Eles dizem que a cepa tem "todas as características" de ser altamente adaptável para infectar seres humanos e precisa ser monitorada de perto.
Como se trata de uma nova linhagem do vírus influenza, que causa a gripe, as pessoas podem ter pouca ou nenhuma imunidade a ela.
Ameaça pandêmica
Uma nova cepa do influenza está entre as principais ameaças que os especialistas estão monitorando, mesmo enquanto o mundo ainda tenta acabar com a atual pandemia do novo coronavírus.
A última gripe pandêmica que o mundo enfrentou, o surto de gripe suína de 2009 que começou no México, foi menos mortal do que se temia inicialmente, principalmente porque muitas pessoas mais velhas tinham alguma imunidade a ela, provavelmente por causa de sua semelhança com outros vírus da gripe que circulavam anos antes.
O vírus da gripe suína, chamado A/H1N1pdm09, agora é combatido pela vacina contra a gripe que é aplicada anualmente para garantir que as pessoas estejam protegidas.
A nova cepa de gripe identificada na China é semelhante à da gripe suína de 2009, mas com algumas mudanças.
Até o momento, não representou uma grande ameaça, mas o professor Kin-Chow Chang e colegas que o estudam dizem que devemos ficar de olho nele.
Qual é o perigo?
O vírus, que os pesquisadores chamam de G4 EA H1N1, pode crescer e se multiplicar nas células que revestem as vias aéreas humanas./s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2010/10/21/h1n1_620.jpg)
O vírus H1N1, que causou uma pandemia de gripe — Foto: Reprodução
Eles descobriram evidências de infecção recente em pessoas que trabalhavam em matadouros e na indústria suína na China.
As vacinas contra a gripe atuais não parecem proteger contra isso, embora possam ser adaptadas para isso, se necessário.
Kin-Chow Chang, que trabalha na Universidade de Nottingham, no Reino Unido, disse à BBC: "No momento estamos distraídos com o coronavírus e com razão. Mas não devemos perder de vista novos vírus potencialmente perigosos".
Embora esse novo vírus não seja um problema imediato, ele diz: "Não devemos ignorá-lo".
Os cientistas escrevem na revista "Proceedings", da Academia Nacional de Ciências britânica, que medidas para controlar o vírus em porcos e monitorar de perto as populações trabalhadoras devem ser rapidamente implementadas.
O professor James Wood, chefe do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge, disse que o trabalho "vem como um lembrete salutar" de que estamos constantemente sob o risco do surgimento de patógenos e que animais de criação, com os quais os seres humanos têm maior contato do que com a vida selvagem, podem ser uma fonte de vírus pandêmicos.
Falha de som fez Leonardo se exaltar em live e dar bronca ao vivo em equipe: vídeo
Leonardo fez uma transmissão ao vivo no último sábado (27), mas se irritou com uma falha técnica logo no início e acabou se exaltando com sua equipe ao notar instabilidades no som.
O sertanejo chegou a interromper a live "Canto, Bebo e Choro" e ficou furioso com o erro. O cantor soltou uma série de palavrões para descobrir quem era o culpado e gerou reações na web.
Leonardo se exalta após falha técnica em live
Tudo estava fluindo bem, até que um problema no retorno do som acabou incomodando Leonardo, que parou a live de imediato e questionou o que estava acontecendo: "O que deu aí? Hein? Como eu cantei as primeiras e não tinha delay?".
O momento aconteceu logo no início da apresentação. Irritado, Leonardo soltou uma série de palavrões e começou a se exaltar: "Quem foi o filho da p*** que estava mexendo aí? Vocês cagam no pau e depois... Quem foi?".
O cantor continuou nervoso durante um tempo e, soltando algumas farpas para a equipe, mas explicou que tiveram tempo suficiente para a preparação da live: "São três dias que vocês estão montando esse trem".
"Quando o cara não bebe não tá com nada. O povo falou para eu não beber nessa live. Bonitos estão vocês que não bebem", reclamou. Assim que a falha foi corrigida, o cantor seguiu com o repertório.
Assista ao vídeo:
Caculé: “Não há motivos para pânico”, diz família de caculeense que contraiu a COVID-19
Paciente veste saco de lixo para realizar cirurgia em consultório odontológico
No Instagram, a esteticista Cristiane Boneta denuncia uma clínica odontológica em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, que pediu para ela usar sacos de lixo para realizar uma cirurgia bucal.
A paciente afirmou que os profissionais da clínica pediram que ela vestisse e enrolasse os cabelos com um saco de lixo. Uma auxiliar que acompanhou a cirurgia disse que os cabelos dela eram muito grandes para caber na touca.
"Ao entrar no consultório eu questionei o dentista sobre o saco de lixo e a reposta dele é que o saco estava limpo. Como precisava muito finalizar essa cirurgia, acabei me submetendo a essa situação", relatou Boneta.
Segundo a esteticista, a justificativa do dentista para o pedido foi a segurança. "Devido a todas as circunstâncias que estamos vivendo e com foco na biossegurança, o que nos assegura a integridade do profissional e do paciente, a minha integridade foi bruscamente violada. Realmente não sei definir se foi racismo ou descaso, mas como profissional da saúde certo eu sei que não está", escreveu a esteticista nas redes.
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Coronavírus no Brasil: os impactos da pandemia de 16 a 30 de junho; FOTOS
Como o isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) está transformando nossos hábitos e as cidades pelo Brasil.
Por G1.
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22 de junho - Faixa de conscientização sobre o coronavírus escrito '50 mil brasileiros mortos, não é só uma gripezinha', pendurada no Viaduto do Chá, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (22) — Foto: Newton Menezes/Futura Press/Estadão Conteúdo
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22 de junho - Vista aérea do cemitério São Luiz, em meio ao surto de coronavírus (COVID-19), em São Paulo — Foto: Andre Penner/AP
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22 de junho - Funcionário do cemitério São Luiz trabalha em uma seção onde vítimas do COVID-19 foram enterradas, em São Paulo — Foto: Andre Penner/AP
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22 de junho - Movimento de pedestres na região central de Florianópolis (SC), nesta segunda-feira (22) — Foto: Antônio Carlos Mafalda/Estadão Conteúdo
21 de junho - O Brasil teve 601 novas mortes registradas em razão do novo coronavírus em 24 horas, mostra levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, são 50.659 óbitos pela Covid-19 até este domingo (21) no país.
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21 de junho - Vista aérea do cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus, no Amazonas. — Foto: Michael Dantas/AFP
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21 de junho - Movimentação intensa de pessoas praticando exercício ao ar livre no entorno da Praça da Lagoa Seca, no Belvedere, região Sul de Belo Horizonte (MG), neste domingo (21 — Foto: Cristiane Mattos/O Tempo/Estadão Conteúdo
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21 de junho - Movimentação intensa de banhistas nas praias de Florianópolis (SC), neste domingo (21) — Foto: Roberto Zacarias/Mafalda Press/Estadão Conteúdo
20 de junho - O Brasil teve 968 novas mortes registradas em razão do novo coronavírus em 24 horas, mostra levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, são 50.058 óbitos pela Covid-19 até este sábado (20) no país.
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20 de junho - Movimentação no cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste da cidade de São Paulo, onde funcionários com roupas especiais fazem sepultamentos na tarde deste sábado (20) — Foto: Robson Rocha/Agência F8/Estadão Conteúdo
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20 de junho - Movimentação nas praias do Rio de Janeiro, neste sábado(20) — Foto: Gilvan De Souza/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
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20 de junho - Movimentação de pessoas no comércio de rua em Recife, Pernambuco, na tarde deste sábado (20) — Foto: Lidianne Andrade/Myphoto Press/Estadão Conteúdo
19 de junho - O Brasil chegou a 1 milhão de casos de coronavírus na tarde desta sexta-feira (19), mostra um boletim extra do levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.
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19 de junho - Coveiros com roupas de proteção enterram homem que morreu vítima de Covid-19, no cemitério de Vila Formosa — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
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19 de junho - Movimentação na região da Rua 25 de Março, área de comércio popular na região central de São Paulo. O Brasil chegou a 1 milhão de casos de coronavírus na tarde desta sexta-feira (19), mostra um boletim extra do levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
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19 de junho - Movimentação na região da Rua 25 de Março, área de comércio popular na região central de São Paulo. O Brasil chegou a 1 milhão de casos de coronavírus na tarde desta sexta-feira (19), mostra um boletim extra do levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
18 de junho - O Brasil teve 1.204 novas mortes registradas em razão do novo coronavírus em 24 horas, mostra levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, são 47.869 óbitos pela Covid-19 até esta quinta-feira (18) no país.
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18 de junho - Homens do exército usando equipamentos de proteção individual (EPI) realizam sanitização no prédio da prefeitura da cidade de Campinas, em São Paulo, nesta quinta-feira (18), durante a pandemia provocada pelo coronavírus (COVID-19) — Foto: Rogério Capela/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
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18 de junho - Bangu e Flamengo se enfrentam no Maracanã vazio — Foto: Thiago Ribeiro/Agif/Estadão Conteúdo
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18 de junho - Movimentação do Monotrilho Prata, na cidade de São Paulo, SP, nesta quinta-feira (18) — Foto: Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo
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18 de junho - Obras de ampliação no Cemitério Parque das Flores, em Recife, Pernambuco — Foto: Veetmano Prem/Fotoarena/Estadão Conteúdo
17 de junho - O Brasil teve 1.209 novas mortes registradas em razão do novo coronavírus em 24 horas, mostra levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, já são 46.665 óbitos pela Covid-19 até esta quarta-feira (17) no país.
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17 de junho - A Prefeitura de Campinas, interior de São Paulo, implantou a sinalização de solo para pedestres na Rua 13 de Maio, principal corredor de compras da área central, nesta quarta-feira (17). A pintura tem como objetivo organizar o fluxo de pessoas na via, que foi dividida em duas faixas, com setas indicando sentidos opostos para a circulação de pedestres. A sinalização busca orientar o fluxo de consumidores e evitar a aglomeração de pessoas — Foto: Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo
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17 de junho - A Prefeitura de Campinas, interior de São Paulo, implantou a sinalização de solo para pedestres na Rua 13 de Maio, principal corredor de compras da área central, nesta quarta-feira (17). A pintura tem como objetivo organizar o fluxo de pessoas na via, que foi dividida em duas faixas, com setas indicando sentidos opostos para a circulação de pedestres. A sinalização busca orientar o fluxo de consumidores e evitar a aglomeração de pessoas — Foto: Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo
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17 de junho - Com a volta do transporte coletivo nesta quarta-feira (17) as ruas e comércio de Florianópolis estão mais cheios e apresentam pontos de aglomeração entre a população. — Foto: Eduardo Valente/Framephoto/Estadão Conteúdo
16 de junho - O Brasil teve 1.338 novas mortes registradas em razão do novo coronavírus nas últimas 24 horas, aponta levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, já são 45.456 óbitos pela Covid-19 até esta terça-feira (16) no país.
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16 de junho - Vista do Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19) — Foto: Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
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16 de junho - Vista do Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19) — Foto: Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
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16 de junho - Vista do Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19) — Foto: Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
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16 de junho - Sessão para convidados do cinema Drive-in no Memorial da América Latina, na cidade de São Paulo, nesta terça-feira (16). O cinema drive-in estreia para o público nesta quarta-feira (17) no Memorial da América Latina com sessões esgotadas até julho — Foto: Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
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16 de junho - Sessão para convidados do cinema drive-in no Memorial da América Latina, na cidade de São Paulo, nesta terça-feira (16). O cinema drive-in estreia para o público nesta quarta-feira (17) com sessões esgotadas até julho — Foto: Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
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16 de junho - Famílias acompanham enterro de pessoas vítimas do Covid-19 no cemitério da Vila Formosa, Zona Leste de São Paulo, na manhã desta terça-feira (16) — Foto: Bruno Rocha/ Fotoarena/Estadão Conteúdo
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16 de junho - Saara, no Centro do Rio, teve lojas abertas e movimentação de clientes nesta terça (16) — Foto: Marcos Serra Lima/G1
Invasão em hospital para Covid-19 põe profissionais da saúde em alerta
Licínio de Almeida: NOTA DE REPÚDIO – Um grito social e ambiental!

Na segunda semana do mês de junho de 2020
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Número de refugiados no Brasil aumenta mais de 7 vezes no semestre; maioria é de venezuelanos
Cerca de 43 mil estrangeiros vivem no Brasil com a condição de refúgio. Desse total, quase 90% vieram da Venezuela. Com a pandemia do novo coronavírus, porém, número de pessoas que pedem refúgio às autoridades brasileiras deve diminuir.
Por Lucas Vidigal, G1.
O Brasil tem cerca de 43 mil pessoas reconhecidas atualmente como refugiadas, informou o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) na segunda-feira (8). O número representa mais de sete vezes o registrado no início de dezembro, quando havia cerca de 6 mil pessoas em situação de refúgio no país.
Segundo o comitê, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o aumento se explica pelas três levas de aprovação dos pedidos feitos por venezuelanos: uma em dezembro, uma em janeiro e outra em abril — essa, destinada a um contingente de filhos de refugiados da Venezuela.
Operação acolhida mantém processo de interiorização de imigrantes venezuelanos em RRCom isso, desde dezembro, o governo brasileiro aprovou cerca de 38 mil solicitações de venezuelanos, o que representa 88% do total. O Conare classifica o país vizinho há um ano como em situação de "grave e generalizada violação de direitos humanos", o que acelera a aprovação dos pedidos de refúgio.
O coordenador-geral do Conare, Bernardo Laferté, explicou ao G1 que, mesmo com as medidas adotadas, não é o comitê quem determina se haverá mais ou menos pedidos de refúgio no Brasil.
"Não somos nós que mexemos na causa do refúgio, é uma questão de demanda", afirma Laferté.
Efeito da pandemia
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Refugiados venezuelanos começam a ser realocados em novo espaço de acolhimento, em Belém — Foto: Camila Diger/Agência Belém
O número de pedidos de refúgio aprovados deverá demorar a apresentar outros aumentos significativos devido à pandemia do novo coronavírus. Segundo o coordenador-geral do Conare, o comitê não tem identificado um movimento migratório de entrada no Brasil por causa do fechamento das fronteiras terrestres.
"Embora a situação por lá ainda seja grave, muitos venezuelanos estão voltando para a Venezuela. A gente entende que é pela situação da pandemia, mas tem que esperar passar para ver se a tendência vai se manter", apontou Laferté.
Por causa da Covid-19, a Polícia Federal não recebe mais os pedidos de refúgio ou de residência, salvo em casos excepcionais: por exemplo, se um estrangeiro no Brasil precisar entrar em um voo de interiorização a outras partes do país.
Venezuela em crise
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Tumulto em Cumunacoa, na Venezuela, nesta quarta-feira (22) começou após saques a comércios — Foto: Reprodução/Robert Alcalá/Twitter
A pandemia do novo coronavírus e a derrubada dos preços do petróleo em março pioram a situação já difícil de uma Venezuela marcada pela violência e pela disputa de poder entre o regime chavista de Nicolás Maduro e a oposição liderada pelo parlamentar Juan Guaidó, que se declarou presidente interino do país no início do ano passado.
Com a crise da Covid-19, cidades venezuelanas registraram saques e confrontos violentos, inclusive com morte, nos últimos meses.
Dados do monitoramento da Universidade Johns Hopkins mostram que a Venezuela registrou 2.377 casos e 22 mortes por Covid-19 até esta segunda. No entanto, segundo observadores internacionais, esse número pode estar subestimado.
Vitória da Conquista: notificações de dengue chega a quase 4 mil registro na cidade.
O índice de infestação do mosquito na cidade é seis vezes maior que o tolerado pelo Ministério da Saúde.
Por G1 BA.
O crescimento da incidência de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti vem causando preocupação em toda a Bahia. Em Vitória da Conquista, no sudoeste, o índice de infestação do mosquito é 6,6%, seis vezes maior que o tolerado pelo Ministério da Saúde, que é de menos de 1%. Há bairros onde este número chega a ser 20 vezes maior. Os dados são do Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) realizado em fevereiro deste ano.
Desde o começo deste ano, Vitória da Conquista registra 3.938 notificações de dengue, chikungunya e zika. São 547 casos confirmados de dengue e três mortes por dengue hemorrágica, além de sete casos de zika e 11 de chikungunya.
Para o coordenador de Endemias de Vitória da Conquista, Eliezer Almeida, esse aumento tem uma explicação:
"Há um novo vírus da dengue circulando na região [sudoeste]. Isto desencadeou uma série de novos casos de dengue, zika e chikungunya. Ninguém na cidade havia tido contato com ele, por isso todos estão expostos a essas doenças, a partir deste novo vírus", explica.
Para combater o mosquito, estão sendo realizadas ações na cidade. Um carro fumacê está sendo utilizado e agentes de endemias estão fazendo trabalho de conscientização de porta em porta. No entanto, os agentes não podem entrar nas casas devido à pandemia de Covid-19.
"Estamos fazendo um trabalho voltado para os imóveis desabitados e terrenos baldios. Nossos agentes também estão falando com as pessoas, mas mantendo uma distância segura, de, no mínimo, dois metros. Ele passa informações, mas não está podendo entrar nos imóveis", completa Eliezer Almeida.
Na Bahia, até o mês de março, 16.459 pessoas foram diagnosticadas com alguma das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, de acordo com o último levantamento divulgado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Foram 13.162 diagnósticos de dengue, 2.867 casos prováveis de chikungunya e 430 casos prováveis de zika.
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Número de mortes no Brasil passa o da Itália e chega a 34.021; país agora é o 3º do mundo com mais ó
Nas últimas 24 horas, foram 1.473 registros – o maior balanço diário pela terceira vez consecutiva; com isso, o país fica atrás apenas do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Por G1.
O Brasil superou a Itália em número de mortos por complicações da Covid-19 nesta quinta-feira (4). Com mais um recorde diário de mortes, o país acumula 34.021 vidas perdidas durante a pandemia e está atrás apenas do Reino Unido e dos Estados Unidos, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde.
Os principais dados do ministério são:
- 34.021 mortes, eram 32.548 na quarta (3)
- Foram 1.473 registros de morte incluídos em 24 horas
- 614.941 casos confirmados, eram 584.016 na quarta
- Foram incluídos 30.925 casos em 24 horas
- 325.957 pacientes estão em acompanhamento (53 %)
- 259.963 pacientes estão recuperados (41,5 %)
O balanço da quinta-feira, que foi divulgado por volta das 22 horas, registrou também 366 mortes que aconteceram nos últimos 3 dias. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, há mais 4.159 suspeitas que estão sob investigação.
O Brasil chegou a terceiro país com mais mortes no mundo 79 dias depois do registro da primeira vítima da Covid-19, em 17 de março.
Veja as mortes nos países mais afetados:
- Estados Unidos: 107.979
- Reino Unido: 39.987
- Brasil: 34.021
- Itália: 33.689
No mundo inteiro, a pandemia já fez cerca de 389,6 mil mortes, de acordo com o painel da universidade norte-americana Johns Hopkins. A doença começou na China, que hoje tem pouco mais de 4,6 mil mortes. O país asiático mais atingido é o Irã, com mais de 8 mil óbitos.
A Europa, que já foi o epicentro da doença, tem flexibilizado as regras de confinamento que foram estabelecidas por causa do novo coronavírus. O Coliseu, em Roma, outros museus e estabelecimentos foram reabertos.
Comparação entre países
A taxa para cada 100 mil habitantes aponta que o Brasil tem 14 mortes a cada 100 mil. Essa taxa mostra o efeito do vírus em países menos populosos, como o Reino Unido (66,6 milhões) e a Itália (60,3 milhões de habitantes), em comparação com os EUA (329,5 milhões) e Brasil (209,5 milhões).
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Número de mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Nessa comparação, o país fica atrás dos Estados Unidos (32,9), da Itália (55,8) e do Reino Unido (59,9).
Nestes países, o pico diário de mortes foi alcançado há mais tempo que no Brasil, e muitos já passam por um processo de desaceleração na contagem de mortos.
Os Estados Unidos tiveram o maior registro (2.612) em 29 de abril, o Reino Unido (1.172) em 29 de abril e a Itália (919) em 27 de março, segundo o mesmo levantamento da Johns Hopkins.

Brasil ultrapassa Itália e é o terceiro país em número de mortos pela Covid-19
Balanço por estados
O Ministério da Saúde divulgou também a distribuição dos casos e mortes por complicações do coronavírus Sars-Cov-2 por estado brasileiro.
- Consulte aqui quantos casos e mortes há em sua cidade
São Paulo se manteve como o estado com mais casos e mortes pela doença, são 129,2 mil confirmações e ao menos 8,5 mil mortes. O Rio de Janeiro é o segundo do país com mais casos e mortes: respectivamente 60,9 mil e 6,3 mil.
Veja abaixo a distribuição dos casos e mortes por estado:/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/J/W/Yqy9YFQoe0lwSBopJ4xA/ec0113b0-a6e2-43ed-8fd2-99da10a43087.jpg)
Balanço do Ministério da Saúde de casos e mortes por Covid-19 em 4 de junho — Foto: Ministério da Saúde
México sai da quarentena no pico da pandemia
Com estatísticas aquém da realidade, país tem recorde de mortos por Covid-19 num só dia, atrás apenas do Brasil na América Latina..
Ao mesmo tempo em que começou a flexibilizar a quarentena adotada tardiamente, no fim de março, o México registrou, nesta quarta-feira, mais de mil mortes por dia, atrás apenas do Brasil em vítimas fatais por Covid-19 na América Latina. Como o presidente Jair Bolsonaro, André Manuel López Obrador optou pelo negacionismo, minimizando a ação do novo coronavírus quando a pandemia deu seus primeiros sinais no país.
O presidente estimulava os mexicanos a levarem vida normal, fora de casa, por pertencerem a “uma etnia forte que consegue vencer vários tipos de peste”. Abraços e reuniões familiares eram incentivados. “Não vai acontecer nada”, assegurava.
Aconteceu o pior. No fim de março, López Obrador, conhecido também por suas iniciais AMLO, capitulou e confinou a população em casa durante dois meses. O México registra 101.238 casos de Covid-19 e 11.729 mortos. As estatísticas, contudo, não são confiáveis e não refletem a realidade.
O vírus circula ativamente no país, infectando uma média de 3.900 novos doentes por dia. No ranking da Universidade Johns Hopkins, o país de 130 milhões de habitantes ocupa o oitavo lugar entre países com mais mortos e o 14º em número de infectados.
O governo rechaçou o programa de testagem em massa, sob o pretexto de ser caro e inútil, de acordo com o subsecretário de Saúde, Hugo López- Gattel, que lidera a força-tarefa do coronavírus. Dele vem também a previsão de que o número de mortos poderá chegar a 30 mil.
Mas o prognóstico é pior: sem dados, não há controle sobre a doença. Um levantamento de certidões de óbito realizado pela ONG Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade entre 18 de março e 12 de maio constatou que o número de mortes por suspeitas de Covid-19 na Cidade do México é o triplo do que divulgado pelo governo.
As mortes pela doença só são contabilizadas se ocorrerem em hospitais. No Estado do México, laboratórios têm capacidade de analisar apenas mil exames diários, e a fila de espera é gigantesca.
Outra investigação, do jornal espanhol “El País”, mostrou que oito entre dez mortos não ingressaram na UTI, sequer foram intubados. Dados conflitantes e defasados não permitirão ao México construir um histórico do novo coronavírus no país.
Mais grave ainda é o fato de que as atividades foram retomadas quando doença está no seu pico, conforme admite o subsecretário López-Gattel.O apelo da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para que o país que não reabrisse a economia, sob o risco de que o contágio poderia se agravar, não comoveu as autoridades.
Pelo menos 500 mil pessoas perderam o emprego em abril. O governo associou o fim do bloqueio a um sinal de trânsito, que determina o grau de risco em cada cidade. Permanecerá vermelho até dia 15 de junho, embora atividades como mineração e construção já tenham sido autorizadas.
López Obrador rejeita as críticas ao manejo da doença, que oscilou entre o negacionismo e a pressa para pôr fim ao bloqueio. “Que não haja psicose, não haja medo e que não prestemos atenção ao sensacionalismo”, assim reagiu o presidente mexicano à cifra de 1.090 mortos num só dia.
Como aqui, o presidente está em guerra com sete governadores de oposição, que traçaram suas próprias estratégias para sair da quarentena. A transição para a nova normalidade se revela tão caótica quanto a pandemia em si.
Covid-19 pode infectar até 40% de indígenas yanomami em aldeias vizinhas a garimpo, diz estudo
Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Socioambiental afirma que a etnia é a mais vulnerável à pandemia em toda a Amazônia; modelo prevê que comunidades possam perder até 6,5% dos integrantes por causa da doença.
Por BBC.
A presença de cerca de 20 mil garimpeiros na Terra Indígena Yanomami durante a pandemia do novo coronavírus e a frágil assistência de saúde no território ameaçam fazer com que até 40% dos indígenas que moram perto das minas ilegais se infectem com a doença.
Nesse cenário, o grupo poderia perder até 6,5% dos seus integrantes, tornando-se uma das populações mais impactadas pela Covid-19 em todo o mundo.
- 1,8 mil indígenas são infectados por Covid-19 em 78 povos no Brasil, diz organização
As análises estão em um estudo produzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto Socioambiental (ISA), que classifica os yanomami como "o povo mais vulnerável à pandemia de toda a Amazônia brasileira".
Segundo a pesquisa, revisada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a etnia corre o risco de sofrer um "genocídio com a cumplicidade do Estado brasileiro" caso não se tomem medidas urgentes para expulsar os garimpeiros e melhorar a assistência médica às comunidades.
Com área equivalente à de Portugal, a Terra Indígena Yanomami abriga cerca de 27.398 membros dos povos yanomami e ye'kwana, espalhados por 331 aldeias.
O território ocupa porções do Amazonas e de Roraima e se estende por boa parte da fronteira do Brasil com a Venezuela.
Rica em depósitos de ouro, a área é alvo de garimpeiros desde pelo menos a década de 1980 — atividade que não foi suspensa nem mesmo após a demarcação da terra indígena, em 1992.
No início de abril, quando a pandemia ainda não havia chegado à região, a BBC News Brasil publicou uma reportagem sobre o avanço de garimpeiros em uma área habitada por uma comunidade yanomami que vive em isolamento voluntário.
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Com área equivalente à de Portugal, Terra Indígena Yanomami ocupa partes dos Estados de Amazonas e Roraima e fica na fronteira do Brasil com a Venezuela — Foto: VICTOR MORIYAMA / ISA
O estudo da UFMG e do ISA alerta para as consequências que a disseminação da Covid-19 poderá ter entre idosos da etnia.
"O desaparecimento repentino dos mais velhos, conhecidos como 'bibliotecas vivas', pode impactar na reprodução social dos yanomami e implica em consequências irreversíveis para a sobrevivência do patrimônio cultural do povo yanomami e ye'kwana", diz o estudo.
Para chegar às conclusões, os autores usaram modelos matemáticos baseados em dados das populações indígenas brasileiras, os índices de mortalidade por Covid-19 em cada Estado e informações sobre o atendimento médico nas regiões habitadas pelas etnias, como o número de leitos de UTI e de respiradores.
Um dos indicadores usados no cálculo mede a vulnerabilidade dos polos base (postos de saúde) das comunidades, considerando informações como a capacidade de transporte de doentes, a oferta de água encanada e a expectativa de vida ao nascer.
Todos os 37 postos do território yanomami obtiveram a pior nota dentre os 172 estudados: 0,7. O índice vai de 0 a 1, sendo 1 a pior nota.
Trânsito de garimpeiros
Guerreiros Yanomami cruzam riacho durante um encontro de lideranças na comunidade watoriki, na Terra Indígena Yanomami, em novembro de 2019 — Foto: VICTOR MORIYAMA / ISA
No levantamento, foram considerados os 13,9 mil indígenas (50,7% da população do território yanomami) que vivem a até cinco quilômetros de áreas de garimpo.
Essas comunidades são vistas como mais vulneráveis ao contágio por conta da circulação dos garimpeiros entre cidades e o território. Muitos garimpeiros recorrem às aldeias para trocar alimentos ou aliciar trabalhadores indígenas.
Segundo a pesquisa, estudos anteriores já mostraram que o garimpo está associado à maior incidência de doenças infecciosas na Amazônia, como a malária.
Os autores simularam vários cenários para estimar quantas pessoas seriam infectadas a partir de um único paciente com Covid-19 que tivesse contato com as comunidades.
Em um cenário de transmissão menos intensa, em que a taxa de contágio (R0) fosse 2 (o que significa que cada infectado transmitiria a doença para outras duas pessoas), 2.131 pessoas seriam infectadas em 120 dias.
No pior cenário, adotando a taxa de contágio (R0) de valor 4, um único caso na região resultaria em 5.603 infectados após 120 dias — ou 40,3% da população abarcada pelo levantamento.
Os autores dizem que os yanomami, assim como outros povos indígenas, são altamente suscetíveis a doenças contagiosas por conta de alguns hábitos culturais. Membros do grupo costumam compartilhar utensílios domésticos, como cuias, e viver em casas que agregam várias famílias.
Mesmo antes da Covid-19, doenças respiratórias já eram a principal causa de mortes para a etnia.
"Se uma doença altamente contagiosa como a Covid-19 entrar na comunidade, é muito difícil impedir a sua transmissão", diz o estudo.
Caso a letalidade da doença entre os indígenas seja duas vezes maior do que a que atinge a população geral de Roraima e do Amazonas — o que os autores consideram provável por conta da assistência médica deficiente nas comunidades —, haveria até 896 óbitos no grupo.
Nesse cenário, as comunidades que vivem perto das frentes de garimpo perderiam 6,5% de seus integrantes em apenas quatro meses.
Mesmo considerando-se as comunidades yanomami mais afastadas que não seriam afetadas pela doença, o índice de mortalidade para toda a etnia seria cerca de 50 vezes maior do que o da Espanha, país com a mais alta taxa de mortes por Covid-19 por habitante do mundo.
Até a última segunda-feira (01/06), havia 55 casos confirmados de Covid-19 entre os povos yanomami e ye'kwana e três mortes, segundo a Rede Pró-Yanomami e Ye'kwana, que abarca pesquisadores e apoiadores dos grupos.
A primeira morte ocorreu em 19 de abril e vitimou um jovem de 15 anos.
Estudo apontou alto índice de contaminação por mercúrio em comunidades yanomami próximas a zonas de garimpo — Foto: VICTOR MORIYAMA / ISA
Para o engenheiro agrônomo Antonio Oviedo, pesquisador do ISA que participou do estudo, o governo deveria priorizar duas ações para impedir o avanço da Covid-19 no território.
Uma seria expulsar imediatamente os garimpeiros, o que limitaria a possibilidade de novos contatos e infecções nas aldeias.
A outra seria "fazer a busca ativa de casos" no território para testar e isolar pacientes o quanto antes. Hoje, os serviços de saúde só agem quando procurados pelas comunidades.
Segundo Oviedo, doentes têm passado vários dias em contato com parentes até serem diagnosticados — isso quando são atendidos.
O pesquisador afirma que, embora a covid-19 seja uma doença nova, já há informações suficientes sobre formas de limitar seu impacto. "A partir do momento em que o governo não embasa suas ações nos conhecimentos já existentes, ele está sendo negligente com as mortes que possam vir a ocorrer", afirma.
Origem de epidemias
Vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, principal organização indígena da etnia, Dario Kopenawa diz à BBC News Brasil que as comunidades estão tentando se isolar e evitando idas à cidade, mas que o trânsito de garimpeiros compromete a eficácia da estratégia.
Segundo ele, as infecções entre os yanomami ocorridas até agora têm relação com os garimpeiros.
Kopenawa afirma que, na filosofia da etnia, a cobiça humana por riquezas subterrâneas é associada ao surgimento de várias epidemias mortíferas como a Covid-19. Na língua yanomami, essas doenças são conhecidas como xawara.
"Nosso criador, Omama, colocou as xawara embaixo da terra. Quando alguém fura o solo atrás de minérios, petróleo e gás, elas podem sair de lá e se espalhar entre humanos", diz ele.
Kopenawa é filho do xamã Davi Kopenawa, presidente da Hutukara e um dos mais conhecidos líderes indígenas do Brasil.
Ele afirma que o pai está isolado em sua comunidade e, a exemplo de outros xamãs da etnia, tem trabalhado intensamente para "enfraquecer os efeitos da doença e para que ela volte ao lugar de onde saiu".
Justiça determina que prefeitura de Paulo Afonso ofereça alimentos a estudantes da rede pública
Defensoria Pública informou que Secretaria Municipal de Educação (SME) estava oferecendo kits de alimentos apenas para alunos das creches, crianças entre 4 e 5 anos e alunos da zona rural da cidade.
Por G1 BA.
Após uma Ação Civil Pública, com pedido de liminar feito pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) em Paulo Afonso, no norte do estado, a Justiça determinou que a prefeitura providencie, em até cinco dias, o fornecimento de alimentos para todos os alunos da rede pública durante o período da pandemia da Covid-19.
A decisão foi tomada na última sexta-feira (29). De acordo com o DPE-BA, mesmo com as aulas suspensas, a merenda escolar deve ser oferecida, por se tratar de direito fundamental dos alunos conforme diversas decisões judiciais.
A Defensoria informou que a administração local não estava oferecendo solução satisfatória para a situação após dois meses da suspensão letiva. A Secretaria Municipal de Educação (SME) estava oferecendo kits de alimentos apenas para os alunos das creches, crianças entre 4 e 5 anos e alunos da zona rural da cidade.
Na Ação Civil Pública, a DPE-BA apontou que, enquanto na maior parte das demais cidades do estado os estudantes já estavam recebendo a segunda parcela do benefício, em Paulo Afonso ainda não tinham sido entregues o primeiro kit com alimentos ou vales correspondentes a esta oferta.
A Defensoria destacou que o município já havia recebido as parcelas das verbas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), no período de fevereiro a abril, em um total de R$ 317 mil, para oferecer recursos da alimentação e nutrição dos estudantes de todas as etapas da educação básica pública.
Ficou determinado que o repasse de alimentos, entre outras opções, não deve gerar ônus para as famílias e que devem ser adotadas medidas para evitar aglomerações e contágio pela Covid-19. A decisão estipulou ainda multa diária no valor de R$ 10 mil.
Rússia disponibilizará remédio contra covid-19 na próxima semana
Operação Ragnarok: materiais apreendidos em Brasília chegam à Bahia; alvo da ação é empresa que deix
Material foi entregue para a Polícia Civil e será anexado ao inquérito que investiga fraude na venda de respiradores ao Consórcio Nordeste.
Por G1 BA.
Materiais apreendidos em Brasília chegam a Salvador — Foto: Divulgação/SSP-BA
Um respirador, celulares, notebooks e documentos, apreendidos durante o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão na Operação Ragnarok, chegaram a Salvador nesta terça-feira (2), segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA).
De acordo com a SSP, o material foi entregue para a Polícia Civil e será anexado ao inquérito que investiga fraude na venda de respiradores ao Consórcio Nordeste.
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Materiais apreendidos em Brasília chegam a Salvador — Foto: Divulgação/SSP-BA
De acordo com a delegada responsável pelas apurações, Fernanda Asfora, coordenadora do setor de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública da Polícia Civil, as investigações estão avançando e os depoimentos seguem na quarta-feira (3).
"Há muito trabalho a ser feito com as informações prestadas, seguiremos até elucidar o caso", explicou. Ainda segundo a delegada, as equipes aguardam o envio das informações bancárias dos envolvidos, que tiveram contas e bens bloqueados pela Justiça.
Sem registro na Anvisa
As empresas investigadas pela fraude no fornecimento de respiradores para estados do Nordeste não têm registro na Anvisa, segundo informou o órgão na manhã desta terça-feira.
São investigadas a Hempcare, que fez as negociações da venda, e a Biogeoenergy, que foi inserida ao longo do processo de negociação, além de ser a suposta fabricante de respiradores.
Em nota, a Biogeoenergy já havia dito que não havia respiradores prontos para comercialização porque a certificação da Anvisa não saiu. Disse, ainda, que o equipamento passou por testes que garantiram a qualidade do respirador e que aguardava trâmites burocráticos do órgão federal.
A Hempcare foi procurada e informou que o registro seria feito apenas por parte da Biogeoenergy, já que ela é a fabricante dos respiradores.
Entretanto, a Anvisa destacou que não foi localizado o protocolo de submissão para solicitação de registro de ventiladores pulmonares por parte das empresas Hempcare ou Biogeoenergy. Ou seja, segundo a Anvisa, não há nenhum pedido em análise ou qualquer tipo de trâmite. Esse protocolo, conforme explica a Anvisa, é um dos primeiros passos para a certificação de um produto.
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Dois dos presos na operação foram encaminhados para a sede da Polinter, em Salvador — Foto: Adriana Oliveira/TV Bahia
Na coletiva de apresentação do caso, após a operação realizada na segunda-feira (1º), o secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Maurício Barbosa, também havia informado que esses respiradores não tinham sido homologados pela Anvisa.
Investigações
Polícia Civil do Distrito Federal em operação de apoio a Polícia Civil da Bahia contra empresa que deixou de entregar respiradores a estados do nordeste — Foto: Divulgação/Polícia Civil do DF
A empresa Hempcare fez uma negociação da venda de 300 respiradores ao Consórcio Nordeste, que representa os estados da região. Foram adquiridos 60 respiradores para a Bahia e 30 para cada um dos outros oito estados. Ao todo, a compra custou R$ 48,7 milhões ao Consórcio.
Os respiradores deveriam ser entregues nos dias 18 e 23 de abril, primeiro e segundo lote respectivamente. Houve atraso da entrega, e a empresa alegou que os respiradores comprados na China estavam quebrados.
Diante do cenário, o Consórcio estipulou 15 de maio como data limite. De acordo com as investigações, na véspera do vencimento da entrega, a empresa teria informado que não teria como entregar os equipamentos e ofereceu a entrega de respiradores fabricados no Brasil por outra empresa, uma parceira, a Biogeoenergy.
O Consórcio, aponta a investigação, não aceitou o acordo e solicitou a devolução do dinheiro. No entanto, a quantia não foi devolvida. A Justiça, então, foi acionada pelo Consórcio e determinou o bloqueio dos bens da empresa Hempcare, conforme publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), da Bahia, na última sexta-feira.
Na última segunda-feira, foi realizada a operação que cumpriu 15 mandados de busca em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Araraquara (SP), além de três prisões.
A dona da Hempcare, Cristiana Prestes, e o sócio dela, Luiz Henrique Ramos, foram presos em Brasília. Já o empresário Paulo de Tarso, também investigado na fraude foi preso no Rio de Janeiro. Ainda na segunda-feira, quando ocorreram as prisões, eles foram encaminhados para Salvador, onde serão ouvidos nesta terça-feira.
Luis Henrique, que tem nível superior, passou a noite numa cela especial na Polinter. Paulo Tarso ficou na 13ª Delegacia Territorial. Já Cristiana passou a noite na Derca.
Ainda durante a operação, a polícia fez buscas na fábrica da Biogeoenergy, em Araraquara (SP), e notou que os respiradores estavam sem ser montados no local.
"Esses equipamentos não foram montados. Ou seja, eles estavam na expectativa de conseguir a autorização da Anvisa, para montar esses equipamentos e, com o dinheiro pago antecipadamente pelo Consórcio Nordeste, eles iam fabricar. Então, houve na verdade, a tentativa de ludibriar o Consórcio", explicou o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa.
Na ocasião, por meio de nota, a empresa informou que como não havia respiradores prontos, também não havia contrato de venda assinado com governos, empresas ou prefeituras. Informou ainda que a Biogeoenergy não tem intermediadores nas negociações relativas ao respirador pulmonar que será fabricado nas unidades de Araraquara e Camaçari, na Bahia. Disse ainda que as vendas, quando ocorrerem, serão de forma direta, para manter o compromisso de comercializar pelo menor preço possível. Disse também que ninguém está autorizado a falar em nome da empresa para prometer os produtos.
A operação foi coordenada pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), através da Superintendência de Inteligência, conta com a participação da Polícia Civil da Bahia, através da Coordenação de Crimes Econômicos e Contra Administração Pública, da Polícia Civil de SP, do Distrito Federal e do Ministério Público da Bahia.
Licínio de Almeida : Cidadão Licíniense Testa Positivo em Teste Rápido Para Covid-19.
Vítima não tem a identidade revelada pela secretaria Municipal de Saúde, mas segundo informações o paciente é um Homem e se encontra bem e está em isolamento no seu domicílio, o próprio paciente procurou a sua Unidade de Saúde alegando ter os sintomas do Covid-19 onde a equipe de plantão de imediato fez o teste rápido constatando positivo.
A Prefeitura Municiapl de Licínio de Almeida juntamente com a Secretaria Municiapal de Saúde está monitorando o paciente e seus familiares em sua residência.
confira o Boletim.












